por Heitor G. Volff  Pereira Da filosofia do ensino médio, considerada por muitos um clichê, até os conceitos filosóficos do ensino sup...

IGNORANTE VS. INTELIGENTE: Uma pequena reflexão sobre aqueles que não respeitam

por Heitor G. Volff  Pereira

Da filosofia do ensino médio, considerada por muitos um clichê, até os conceitos filosóficos do ensino superior, é comum que as pessoas tenham certo apreço pela palavra “filosofia” e tudo o que é derivado dela. Parece ser extremamente prazeroso o ato de questionar-se e obter respostas através de profunda reflexão, bem como é prazeroso para um indivíduo participar de um debate e saber problematizar certo assunto pelo simples fato de que o seu intelecto é alimentado constantemente por livros dos mais diversos e conhecidos autores das mais diversas áreas. A filosofia também é aplicada em casos quando, por exemplo, um indivíduo se depara com um acontecimento surreal, algo que, a princípio, foge da compreensão humana. Movido por um sentimento de incredulidade, ele pesquisa diversas fontes e, baseado no que descobriu e aprendeu, tenta interligar os fatos para ver se o acontecimento presenciado de fato é considerado possível dentro da nossa realidade ou não.

por Myra Soarys “Éramos velhos, quando nossas costas não se curvavam mais, éramos velhos com nossos olhos sem visão, embaçados pelo...

Corpo Arcaico



por Myra Soarys

“Éramos velhos, quando nossas costas não se curvavam mais, éramos velhos com nossos olhos sem visão, embaçados pelo tempo. Éramos velhos que não nos importávamos mais com a caminhada lenta, quase arrastada, dada por aqueles pés enrugados, constituído de ossos ocos.

Éramos velhos conservadores das boas lembranças de criança, éramos velhos que suportavam os dias se encurtarem em direção a morte, éramos velhos que puxavam o nosso corpo com muito zelo, para assim tentarmos conservá-lo por mais e mais dias.

Éramos… velhos, com pensamentos que faleciam com o tempo, eis que sou um dos velhos, que não lembra aonde deveria ir, aonde deveria ficar. Não recordo como antes o nome dos meus sete filhos, talvez João, quem sabe Francisco. Droga‼ Envelhecer dói, machuca.

Sinto-me uma terra imprópria para cultivo nesse fim de vida, tantos me cavaram e plantaram flores em mim, hoje eu não semeio nada, na visão das carnes jovens, somente solto folhas secas dos meus galhos ressecados.  

Éramos velhos e a cada dia que se passa sou mais. Vivo esquecendo e sou esquecido, por mim mesmo, e pelos meus frutos, que um dia os cuidei.

Tornei-me uma veste que não mais cabe em meus filhos, me abandonaram dentro de um guarda-roupa da vida, tal guarda-roupa que somente sinto o mofo que se instala. Penso todos os dias da minha vida, que serei o casaco de inverno que os aquece dentro do meu peito, porém agora é verão e esse calor nos afasta. Só desejo que essa estação não se prorrogue.

Desce lágrimas dos meus olhos, que bom que ainda lembro como chorar, isso a velhice não me roubou. Chorar? Nossa, queria derramar lagrimas de felicidade, porém, para mim, estou a morrer a cada dia sem a alma de alguém.

Éramos… velhos e ainda sou um velho, sinto meu corpo desfalecer, dias, meses se passam e não sei, mas andar por mim, e eu sinto que aqui estacionarei. Não consigo mais lutar contra meu corpo fraco, não sei respirar sozinho, meus órgãos não funcionam como antes. Respirar pra mim é como rasgar uma faca no meu peito. Caminhar… cada passo um membro a se deslocar pra fora da minha alma.

Eu sofro em pensar, que aquela porta não se abre há mais de 30 anos e espero a bondade do tempo de me fazer resistente para vê-la aberta, sentir alguém me erguendo e me fazendo novamente viver, torna-se útil de novo, voltar a ser… ser humano. E descansar ao lado de deus e de minha Suzane.”

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por Maicon Rafael Santos Viver intensamente o presente parece ser o conselho do momento, mas o homem adora o pé da letra e está estraga...

O Presente Preferido

por Maicon Rafael Santos

Viver intensamente o presente parece ser o conselho do momento, mas o homem adora o pé da letra e está estragando seus pensamentos, sua capacidade de aprender mais, de ser melhor.

Por Adriano Kurle [1] Duas coisinhas básicas antes de desqualificar seu adversário em um debate: (1) – Quando você desqualifica o s...

Duas falácias: o ad hominem e a frase “é socialista mas tem um iPhone”

Por Adriano Kurle[1]

Duas coisinhas básicas antes de desqualificar seu adversário em um debate:

(1) – Quando você desqualifica o seu adversário por quem ele é ou pelo o que ele faz, você não está refutando seus argumentos. Isto é uma falácia muito comum chamada “ad hominem”. Então, você pode obter sucesso assim em acabar com a reputação de uma pessoa, mas se o seu argumento for válido e montado sobre premissas plausíveis, o argumento dele continua sendo melhor que o seu (que nem é um argumento).

(2) – Um exemplo de ad hominem clássico no Brasil em debates políticos, decorrentes de ignorância sobre temas políticos: alguém com conhecimento mínimo de política e sociologia elabora uma crítica, e um conservador se sente ofendido e, ao invés de analisar as informações e o argumento, resolve partir para o ad hominem. Como a crítica é social, logo é classificada como “socialista” (mesmo quando não é), e por ser “socialista”, surge o ad hominem de que a pessoa que elaborou o argumento não tem autoridade sobre o assunto porque ela é “socialista e usa iPhone”.

Isto, além da falácia, designa obviamente uma ignorância política porque confunde socialismo com anti-tecnologia: a linha atualmente mais influente do socialismo é a marxista, e o que ela visa é a superação do capitalismo (ou seja, o pós-capitalismo, e não um retorno a uma condição pré-capitalista ou feudal), através da apropriação do maior número de pessoas dos meios de produção (que inicialmente, por serem caros e escassos, ficam nas mãos de poucos).

Portanto, quanto mais tecnologia, melhor, e quanto maior o acesso a ela, melhor, pois maior autonomia as pessoas terão para utilizá-las para produzir, seja bens físicos, informacionais ou virtuais. E neste sentido, o iPhone e tecnologias afins, enquanto tecnologia, colaboram para a disseminação da produção autônoma de conteúdo informacional e virtual.
Ao fim, ainda poderia se dizer que é sabido que a Apple e outras grandes corporações se aproveitam de trabalho escravo terceirizado (com consentimento) em mineradoras da África e da América do Sul para obter matéria prima barata e que se utiliza de mão de obra em países que não garantem direitos trabalhistas, como alguns países asiáticos, de maneira que os trabalhadores que montam os produtos recebem mal e trabalham muitas horas.

Este último seria um bom argumento para sustentar que uma pessoa que defende o socialismo estaria em contradição ao comprar um produto produzido por via da exploração do trabalho. Mas um liberal também teria este mesmo problema, visto que a teoria clássica do liberalismo preza pelo direito de cada indivíduo de colher os frutos do seu trabalho (pense aqui no trabalhador) e o direito à dignidade humana (teoricamente aqui penso em Locke e Kant, respectivamente). Ainda mais, um socialista sabe que vive num mundo que não é de acordo com a sua utopia, quer lutar para transformá-lo, mas isso não deve exigir dele que não consuma ou não viva dentro do modelo social e econômico no qual está envolvido – ao menos enquanto outra alternativa não existir.

Consequentemente, na falta de opção por produtos acessíveis que sejam produzidos com trabalho digno e (de preferência) com a devida distribuição das riquezas geradas pelos trabalhadores aos próprios trabalhadores, que consumamos o “menos pior” até que o sistema mude.




[1] Licenciado em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM); mestre em Filosofia pela PUCRS; doutorando em Filosofia pela PUCRS. Áreas de atuação e interesse: filosofia moderna (especialmente Rousseau, Kant, Fichte e Hegel), teoria crítica, dialética, musicologia, filosofia da música.

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por Francisco Arseli Kern          Vivemos na necessidade da sociedade do afeto e mais do que nunca precisamos somar a necessidade de s...

Onde está o sentido do Humano?

por Francisco Arseli Kern
     
   Vivemos na necessidade da sociedade do afeto e mais do que nunca precisamos somar a necessidade de sobrevivência material com a necessidade de sobrevivência emocional, afetiva e espiritual. Quando construímos novas relações, projetamos a perspectiva da construção de uma vida mais próxima, seja de união ou não, até que o fantasma do medo entra em cena e constrói um muro que separa os sentimentos mais nobres dos sentimentos de impotência e de afastamento descapitalizando o sentido do humano, colocando-o na condição de vulnerável a tudo e a todos.

Pode parecer fácil apresentar um discurso que defende a valorização do sentido da vida, mas quando estamos diante de humanos em situação de vulnerabilidade, rotuladas com preconceitos, esquecidos, marginalizados e sofrendo a exclusão social, o valor do sentido da vida evidencia limites.

No decorrer da nossa história, o humano está cada vez mais esquecido e também situado em segundo plano. Hoje, ele precisa aparecer! Ele precisa se tornar alguém, tornar-se sujeito. Se assim ele não conseguir, torna-se vítima de uma morte social com conseqüências cruéis e desastrosas.

Para superação desta concepção de humano esquecido, o sujeito com responsabilidade para com o outro se torna extremamente necessário, o que compreende uma conotação coletiva; é o sujeito com direito à liberdade, o que compreende ao contrário, tolher a liberdade, e sim, considerá-lo na sua condição capaz da construção e projeção de sua condição de sujeito e humano.

A reflexão sobre o que o humano busca na atualidade, com base na sua experiência de vida, constitui-se numa construção política carregada de significados, e ao mesmo tempo, uma construção que vai se efetuando em meio à possibilidades e limites que, são vivenciados no dia a dia e que devem sempre levá-lo a um recomeçar. A vivência do cotidiano o impulsiona a projetar-se para a sobrevivência, não só em termos físicos de satisfação das necessidades, mas no sentido de buscar a realização do seu ser em toda completude.

Assim, o humano ao existir, cresce e se desenvolve processualmente e dialeticamente no avançar e no retroceder na busca de seu pertencer ao mundo social. Se o humano não se projetasse da singularidade para o coletivo, ou seja, da individualidade para as redes de relações, ele não sobreviveria. Isto também significa dizer que o humano sempre se lança para fora de si através de dois pólos que se caracterizam como o ser e o não-ser. O sentido do não-ser é o que motiva o ser a uma busca incessante, ou seja, o humano em busca do sentido e do significado de referência e do pertencimento social a partir da sua subjetividade!

Em seu discurso sobre a existência, SARTRE dá a entender ser a subjetividade humana construída. Ela não existe a priori, ou seja, SARTRE associa a natureza humana à angústia, à liberdade e ao projeto. É mais fácil entender em SARTRE a desubjetivação, do que a própria subjetividade. Para este filósofo, o humano não é nada a não ser que ele próprio se projete e se crie. Se isto não ocorrer, ele não existe, logo não haverá subjetividade.

A subjetividade alcançada (1973, p. 78) “ não é uma subjetividade rigorosamente individual, pois não descubro apenas a mim mesmo, mas também os outros”. O humano que alcança a sua realização plena, descobre também todos os outros, descobrindo-se como sendo a própria condição de sua existência. O humano expressa o seu mundo subjetivo na medida em que é reconhecido como tal. Neste sentido, não existe o humano individualizado no concreto, pois a sua existência, ou o seu pertencimento social, se dá na medida em que seu eu é fortalecido no reconhecimento do outro no significado do estabelecimento das teias de relações.

SARTRE ensina que para o humano obter qualquer verdade sobre si mesmo, faz-se necessário a consideração do outro. Logo, a subjetividade cria uma dimensão de intersubjetividade, ou seja (1973, p. 78): “a descoberta da minha intimidade, desvenda-me, simultaneamente, a existência do outro como uma liberdade colocada na minha frente, que só pensa e só quer ou a favor ou contra mim”.

Pensando neste ângulo, a subjetividade é construída na medida em que a pessoa se projeta, se define em meio a sua condenação, a liberdade de existir. Olhando sob este prisma, não existe uma subjetividade abstrata, intocável, pura no sentido de ser privada. A vida do ser humano está diretamente e indiretamente ligada a todos os seres vivos, e neste sentido, cria-se uma interrelação numa totalidade de existência da vida.

No campo dos direitos humanos, o humano é tomado como tema para reflexão. Ë o humano com responsabilidade para com o outro, o que compreende uma conotação coletiva; é o humano condenado à liberdade, o que compreende ao contrário, tolher a liberdade do mesmo, e sim, considerá-lo na sua condição de sujeito capaz da construção e projeção de sua existência social.

Fonte:
SARTRE, Jean Paul. O existencialismo é um humanismo. São Paulo: Abril Cultural, 1973



            

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por Douglas Ferrari Estamos constantemente sendo bombardeados por informações, comunicados e notícias da mídia, da televisão e agora...

A neutralidade da mídia e televisão


por Douglas Ferrari

Estamos constantemente sendo bombardeados por informações, comunicados e notícias da mídia, da televisão e agora na internet. As grandes mídias passaram a também utilizar a internet como meio de propagação de seu material. O que vem a seguir é algo muito pertinente sobre o assunto que estamos vivenciando.

por Myra Soarys      Eu vou lhe contar uma coisa… Eu acordei errada hoje, ou ao avesso. Não amarrei meus cadarços, não me importei e...

Sem pé, nem cabeça


por Myra Soarys


     Eu vou lhe contar uma coisa… Eu acordei errada hoje, ou ao avesso. Não amarrei meus cadarços, não me importei em pentear meus cabelos, sai bagunçadamente bem.
    
     Eu vou lhe contar uma coisa… Hoje eu roubei flores de um vizinho, roubei as flores que ele sempre as manteve trancadas, sem ver o mundo e escondidas atrás da cerca mal pintada, as dei para as ruas vazias, as ruas sorriram “banguelamente”, agradeceram.  
     
     Eu vou lhe contar uma coisa… Hoje eu sorri pra um senhorzinho cego, ele retribuiu mesmo não vendo meu sorriso colorido, mas ele sentiu, na troca de palavras entre nós dois somente, naquele velho metrô, dizendo que ele podia não enxergar o mundo aqui fora, porem o mundo ali dentro só ele tinha a excelência de ver e ser o único hospedeiro.
    
    Eu vou lhe contar uma coisa… Eu deitei meu rosto no chão da cozinha, queria ter uma visão do meu amigo felino ali repousando frente a mim, ele me observa tão fixamente que o sentia conversar dentro de mim, parecia ler meus pensamentos.
     
    A vida dele se passou diante dos meus olhos. Uma lágrima desceu, não sei o motivo ou até sei, pensava talvez no fim dele, e ele ali fixa a mim, parecendo me compreender, esticando-lhe a patinha tentando me alcançar, ou só tentando enxugar a lágrima que não se conteve e molhara o chão.
    
     Pisquei mil vezes para torná-lo real novamente, mas só estava recriando a falta de um pedaço meu.
     Recolhi-me, me levantei e fui fazer meus afazeres. Fui tentar viver, fui tentar ver a vida da minha janela.
    
    Eu vou lhe conta uma coisa… Faltavam-me as rosas daquelas ruas banguelas para me embelezar, os olhos daquele homem de visões também a mim faltavam, eu nunca existi, só percebi essa minha ausência nesse mundo. E fui viver pro meu mundo, sem pé nem cabeça. Hoje, amanha e sempre.

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