Mostrando postagens com marcador política. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador política. Mostrar todas as postagens

Por Renan Peruzzolo Assistindo a um jogo de futebol, o que raramente faço, transmitido pela televisão, deparo-me com uma reflexão...

Futebol Político



Por Renan Peruzzolo

Assistindo a um jogo de futebol, o que raramente faço, transmitido pela televisão, deparo-me com uma reflexão pertinente. Logo me surge certa semelhança entre a realidade brasileira atual frente à questão ético-político-social e o jogo de futebol e afins.

Percebo por várias vezes a conduta incorreta de jogadores, que mesmo agindo de forma inapropriada e violenta, frente ao juiz, tem a petulância de fazer apontamentos não condizentes com a conduta.

O juiz, por sua vez, parece muitas vezes, julgar lances de forma pessoal, agindo de forma parcial, mesmo com a evidência de provas que afirmam o contrário do lance. Os bandeirinhas e muitos outros, encarregados de interferir nos julgamentos injustos, parecem estar ali também para fins escusos.

O torcedor, movido pela emoção, parece estar cego. Cospe e grita palavras de “ordem”, xingamentos, é a exímia figura de justiceiro. Sabe ele como se deve atuar dentro de campo, como administrar o time e o clube e, consequentemente, como arbitrar a partida.

A mídia, encarregada de transmitir e comentar o jogo parece, como sempre, o fazer de forma tendenciosa. E se não bastasse, comerciais que incentivam a cultura de massa, ou seja, nenhum pouco racional, são colocados, me parece, em hora oportuna.

O futebol, assim como muitas outras coisas, se tornou mercado. Aqueles que ganham para isso tornam-se descaradamente mercenários, pouco se importando com a “bola no pé”.

Constrói-se um espetáculo, não falta nada. Como se não bastasse, o caro telespectador, com um pouquinho de senso crítico, percebe um discurso muito reflexivo e nunca visto antes ao final do da transmissão, como por exemplo: “É isso aí, ‘graçadeus’ consegui empurrar a bola na rede, fiz o que o ‘pressor’ pediu, ‘graçadeus’. Vamos continuar ‘trabalhando’ essa semana aí, foco, força e fé. ‘graçadeus’!

Isso quando as emoções não vêm à flor da pele e toda a racionalidade humana se expressa em uma pancadaria generalizada.


O objetivo dessa crônica - se isso era para ser uma crônica - não é dizer ao caro leitor para não assistir aos jogos e/ou não praticar esportes, muito pelo contrário. Contudo, na minha opinião – e que fique claro, na minha opinião – o indivíduo que sabe de cor o hino do seu time, a escalação titular do mesmo, mas que desconhece que suas atribuições como cidadão vão muito além do voto e, sobretudo, enche o peito para falar de política, me faz concluir que, de fato, merecemos nossos representantes. Cartão vermelho para você.

O Projeto Filosofia do Cotidiano abre espaço para todos que desejam publicar. conteúdo independente. As postagens expressam a opinião do autor e não necessariamente a linha de pensamento do Projeto.

por Douglas Ferrari             Afinal, o que é "Opinião Pública"? aquela que as mídias e afins anunciam os resultados de...

Opinião Pública


por Douglas Ferrari

            Afinal, o que é "Opinião Pública"? aquela que as mídias e afins anunciam os resultados de pesquisa em opinião pública sobre determinados assuntos. Os institutos que são conhecidos no Brasil e fazem pesquisas neste sentido são o Ibope, Data Folha, IBGE... etc. Cujo partem da ideia de que a opinião pública é a somatória de opiniões individuais sobre temas por eles mesmos aferidos. Para Bourdieu este tipo de opinião não existe. 

              Um ponto que tem que ser esclarecido é a definição de opinião, e a diferença para a opinião que é pública. Ex: a aula foi ruim; a comida está apetitosa, etc... — A especificidade da opinião pública em relação a simples opinião é que, a opinião pública terá por objeto temas que digam respeito a toda a cidade, a toda “polis”, temas “políticos", portanto. 

              Um dos principais requisitos para que um objeto seja tido como público hoje: ele deve estar presente nas pautas dos meios de comunicação. A agenda dos meios determina a agenda pública. A opinião pública, para ser pública, terá que ter um tema presente nos meios de comunicação de massa. O valor atribuído ao objeto da opinião pública é atribuído por um grupo, ou seja, é um valor coletivo e compartilhado por um grupo de pessoas. 

              A mídia, principalmente a grande mídia — monopolizada na maioria das vezes — é aquela que "dita" os assuntos de interesse público, percebemos isso nos jargões proferidos em jornais, programas televisivos e etc. (notícia/reportagem de interesse público), normalmente a população não observa essas relações de um ponto de reflexão filosófica, por fim acredita que ela é "imparcial". É muito difícil haver imparcialidade na mídia com relação à opinião pública, pois para fazer parte da pauta da mídia ela deve passar por um filtro e pelo interesse dos que vão divulgar ela.  

          A "opinião pública", para ser entendida como somatória de opiniões individuais, como mostrada pelos institutos de pesquisa e mídias afins, parte de algumas premissas: 

  1. Seria preciso que todos tivessem opiniões individuais sobre os temas da agenda pública, o que não é o caso, pois nem sempre há opinião individual sobre os temas próprios da opinião pública.
  2. Além disso, seria preciso que houvesse uma referência para que seja feita a comparação – Um critério a partir do qual julgar.
  3. Seria preciso que elas fossem “somáveis”, e só são somáveis unidades da mesma espécie. Ou seja, as opiniões individuais teriam que ser equivalentes para poderem ser somadas. O que não pode ser feito, já que cada indivíduo tem suas características específicas, diferentes legitimidades sobre o assunto, experiências diferentes, formações diferentes, especialidades diferentes, etc. 
  4. Os temas objeto de pesquisa teriam que ser os temas mais relevantes, mais importantes para os indivíduos da sociedade. Perguntar sobre determinados temas é pressupor um acordo social sobre a importância desses temas, o que está longe de corresponder à verdade.

               Então, conclui-se que: a definição de opinião pública como simples somatória das opiniões individuais, é uma definição que não convém. Já que a opinião pública NÃO é a somatória das opiniões individuais, partindo das teses de que: 1º) A opinião pública é lógica e cronologicamente anterior às opiniões individuais; 2º) A opinião pública é condição das opiniões individuais; 3º Fazer acreditar que a opinião pública seja a somatória das opiniões individuais interessa a “alguém”, pois esconde instancias de poder e protege aqueles que conseguem interferir nos caminhos da opinião pública.

          A opinião pública é lógica e cronologicamente anterior às opiniões individuais: Segundo Durkheim, “a sociedade é lógica e cronologicamente anterior aos indivíduos que a compõem”. Quando o "homem" surge na evolução da espécie, ele já vivia em sociedade, assim como as etapas anteriores ao homem nesse processo também já viviam em sociedade. Ou seja, a evolução do homem se deu em sociedade — assim como a sociedade precede o indivíduo. A opinião pública precede a opinião individual, pois os indivíduos nascem em contextos onde as opiniões públicas já estão amplamente consolidadas.

           Fazer acreditar que a opinião pública seja a somatória das opiniões individuais interessa a aqueles que estão por trás da construção efetiva das opiniões dominantes sobre os temas políticos. O que Bakhtin propõe em sua obra “Marxismo e filosofia da linguagem”: a consciência tem como matéria prima signos, as palavras são um tipo de signo. Esta por sua vez, é povoada de palavras, as palavras constituem a consciência, mas ela é dinâmica e pressupõe a articulação permanente entre essas palavras. Cada palavra possui um significado. A consciência é construída dentro de um pertencimento na sociedade, de fora pra dentro. É a sociedade que oferece as condições materiais para articular a matéria prima semiótica que o indivíduo usa para falar. É a sociedade que propõe o significado das palavras que os indivíduos utilizam. Bakhtin afirma que todo o signo é ideológico. O significado das palavras é resultado da construção social de agentes em conflito, que querem que as palavras digam coisas diferentes do que elas querem dizer para seus adversários. Existe uma luta social pela definição do que devemos entender sobre as palavras. O significado das palavras é um troféu em disputa. Se a consciência é povoada por signos em articulação, e esses signos em articulação só se articulam em função de significados em circulação na polifonia social, é evidente que um indivíduo só consegue propor uma opinião individual se tiver sido devidamente abastecido por uma matéria prima semiótica que lhe é dada pela polifonia na qual ele está inserido.

           Temos então, neste caso uma opinião pública que precede o indivíduo e a cada momento sócio-histórico temos um foco diferente. A grande mídia determina de acordo com seus interesses a opinião pública, interesses que podem ser desde a simples audiência ou até mesmo interesses políticos. Quando nós nos deparamos com o "opinião pública" devemos redobrar nosso ceticismo e refletir filosoficamente sobre os objetivos, interesses e consequências da "opinião pública", e sobretudo questionar a origem e os interesses da pauta pública e quem tornou ela "pública".

Referências: Curso de Ciência Política, de Clóvis de Barros Filho.



Projeto Filosofia do Cotidiano abre espaço para todos que desejam publicar. conteúdo independente. As postagens expressam a opinião do autor e não necessariamente a linha de pensamento do Projeto.

por Douglas Ferrari Estamos constantemente sendo bombardeados por informações, comunicados e notícias da mídia, da televisão e agora...

A neutralidade da mídia e televisão


por Douglas Ferrari

Estamos constantemente sendo bombardeados por informações, comunicados e notícias da mídia, da televisão e agora na internet. As grandes mídias passaram a também utilizar a internet como meio de propagação de seu material. O que vem a seguir é algo muito pertinente sobre o assunto que estamos vivenciando.

por Eduardo Viveiros de Sousa "No décimo segundo anos após esses acontecimentos, Megacles, enfrentando dificuldades num conflito d...

O mito , a política e a religião

por Eduardo Viveiros de Sousa

"No décimo segundo anos após esses acontecimentos, Megacles, enfrentando dificuldades num conflito de facções, abriu negociações com Pisístrato e, propondo que este desposasse sua filha, trouxe-o de volta, empregando um expediente antiquado e extremamente simples. Começando por fazer correr um boato de que Atena estava trazendo Pisístrato de volta, descobriu uma mulher, alta e bela, de acordo com Heródoto pertencente ao demo de Paeânia, embora conforme outros relatos uma florista trácia de Colito, de nome Fie, trajou-a para que se assemelhasse a uma deusa e a trouxe à cidade com Pisístrato. Este surgiu na cidade dirigindo uma biga com a tal mulher em pé ao seu lado. A população, tomada de pasmo, acolheu-os reverentemente."

Constituição de Atenas, Aristóteles.

por  Yuri Lawrence de Oliveira Carvalho Afinal o que esta frase representa? Os acontecimentos que estamos acompanhando atualmente na po...

Estamos vivendo um momento histórico

por  Yuri Lawrence de Oliveira Carvalho

Afinal o que esta frase representa? Os acontecimentos que estamos acompanhando atualmente na política Brasileira independente do resultado, estarão escrevendo um período novo na História do Brasil.

por Fábio Fleck São tantos os assuntos, momentos e até sentimentos que nos tomam por estes dias, que poderíamos pensar em várias sit...

Sobre o Rebirth nosso de cada dia

por Fábio Fleck


São tantos os assuntos, momentos e até sentimentos que nos tomam por estes dias, que poderíamos pensar em várias situações diferentes para expor em uma reflexão ou até mesmo uma crítica e entre estes assuntos, seria impossível deixar de tocar sobre o tema da política, menos ainda, quando estamos a poucos dias de um possível evento de grandes proporções e que terá um efeito considerável na vida de todos aqueles que residem por aqui em nosso país e em uma situação inédita.

                                 Marcelo Teixeira de Jesus               Reificação é um conceito do início do século XX, esse conceito...

Podemos Reconhecer a Reificação na Sociedade Atual?

                              Marcelo Teixeira de Jesus

             Reificação é um conceito do início do século XX, esse conceito foi desenvolvido pelo pensador Georg Lukács. Reificação significa tornar algo em coisa. O conceito tem origem na palavra latina res, que significa coisa. O tornar coisa aqui deve ser compreendido, como Lukács pretendia, que todas as relações humanas, no sistema capitalista, são vistas como meros objetivos a serem alcançados, ou seja, as relações humanas são meras “coisas”. Melhor dizendo as relações humanas são relações coisificadas, as relações humanas são realizadas em vista de objetivos. Para Lukács, todas as relações humanas são relações reificadas. Isso inclui relações amorosas, afetivas, de entretenimento, todas as relações interpessoais são realizadas em vista de objetivos. Não há relação interpessoal que não seja reificada, para Lukács. Por que Lukács acredita que todas as nossas relações são reificadas?

            O sistema capitalista tende a dizer como as nossas relações devem ser, como devemos nos relacionar, quais as roupas devemos usar para sermos aceitos em sociedade, como devemos agir, qual o modelo ideal de pessoa; o sistema capitalista não quer apenas que consumamos produtos, ele quer nos dizer como devemos ser. Dessa forma nossas relações se tornam “coisas”. Nossos projetos, relações e objetivos de vida são pautados em busca desse “ideal”. E qual é esse ideal? É um ideal inacessível, que está em freqüente mudança, pois, essa mutabilidade desse “ideal” é necessária, pois dessa forma o sistema está sempre se renovando. Mas se todas as nossas relações interpessoais são reificadas como podemos ter acesso a elas?

            Acredito que nem todas as nossas relações são reificadas, acredito que a categoria de reconhecimento não é reificada. Para ser mais exato me refiro à primeira fase de reconhecimento que Axel Honneth trata em seu livro intitulado Luta por Reconhecimento. Em Luta por Reconhecimento, Honneth atualiza a categoria de reconhecimento do filósofo alemão Gerg W. F. Hegel. A categoria de reconhecimento em Hegel trata, basicamente, da relação dicotômica do opressor e do oprimido no curso da história. Na antiguidade essa relação pode ser vista na disputa do senhor e do escravo, na idade média na relação do senhor feudal e do seu servo, e na época de Hegel nos primórdios do capitalismo no confronto da burguesia e do proletariado, classe que começava a surgir. Na atualidade esse conflito não se dá apenas entre dois grupos, esse conflito se dá na sociedade civil, que é composta por vários grupos sociais. E esses grupos sociais têm interesses diversos, e todos querem que seus interesses sejam reconhecidos pela sociedade.

            Em outras épocas históricas não havia uma diversidade social tão vasta e uma gama de reivindicações tão grande. Em outras épocas históricas o que era reconhecido era apenas os direitos dos dominadores, os direitos desses contemplavam, ou deveriam contemplar, a todos os membros da sociedade. Devido à diversidade de grupos sociais na atualidade, os direitos de alguns não podem contemplar a toda a sociedade, por isso a categoria de reconhecimento de Hegel, segundo Honneth, deve ser atualizada.

            Honneth nos apresenta a categoria de reconhecimento dividida em três dimensões distintas: i) amor, ii) direito e iii) estima social (ou solidariedade). Acredito que a primeira dimensão, a do amor, se for bem desenvolvida no sujeito pode fazer com que esse possa reconhecer as relações reificadas do sistema capitalista. Refiro-me a dimensão do amor porque Lukács nos diz que todas as nossas relações, no sistema capitalista, são relações reificadas, inclusive relações afetivas, por isso, acredito que o bom desenvolvimento da dimensão do amor da categoria de reconhecimento pode fazer com que o sujeito possa reconhecer as relações reificadas; ou seja, acredito que nem todas as relações do sistema capitalista são relações reificadas.

            A dimensão do amor, segundo Honneth, está ligada com a infância dos sujeitos. Não diria apenas com a sua infância, mas essa relação é anterior ao nosso nascimento, ela começa a se dar quando ainda estamos nos formando no útero de nossas mães; pois uma criança que já é amada e recebe todos os devidos cuidados, tais como pré-natal e outros cuidados médicos, antes mesmo de seu nascimento, deverá receber muito amor, carinho e cuidados após seu nascimento.

            No primeiro estágio da dimensão do amor há um vínculo de ligação muito íntimo entre a mãe e seu bebê; há nessa relação, como diz Winnicott, uma ligação simbiótica, onde o bebê é dependente da mãe, mas a mãe não é um sujeito independente do bebê, ela se vê ligada dependente ao bebê, pois só assim ela se reconhece como mãe. A dependência é mutua. Contudo, ao afirmar que a dependência é mutua, deve-se deixar caro que a responsabilidade não é mutua, a responsabilidade pelo bem estar e desenvolvimento da criança é de responsabilidade de seus pais. Na ligação simbiótica o bebê é totalmente dependente da mãe. Por esse motivo é importante que se tenha um cuidado especial com o bebê, dando-lhe amor e carinho, amamentação correta, visando o seu desenvolvimento físico e emocional. Nesse período a mãe só se reconhece mãe devido ao seu vínculo com o bebê e o se reconhece como um “ser” amado pelos cuidados empreendidos pela mãe. Nessa fase do desenvolvimento o bebê não se vê ainda como um ser independente de sua mãe. Quando se diz que o bebê não se vê como um ser independente da mãe, não se está afirmando que ele se percebe como um ser depende de sua mãe no sentido que ele dependa dela para que ela realize as atividades básicas para manter a sua vida e bem estar, não, se está afirmando que o bebê não distingue a sua mãe como um outro ser, ele a vê como uma espécie de sua extensão, como se os dois fossem o mesmo ser, por isso que se diz ligação simbiótica.

            O estágio seguinte à ligação simbiótica é chamado de agressividade ou destrutivo É nesse estágio que a criança dá seus primeiros passos para a construção de sua identidade. Esse estágio é chamado de agressividade porque há um afastamento brusco da mãe com o seu bebê, esse, o bebê, em um primeiro momento não compreende esse afastamento da mãe. Mas, é esse afastamento da mãe que faz o bebê perceber que há um mundo à sua volta, se não houvesse esse afastamento o bebê não teria acesso a esse mundo. Logo, esse afastamento brusco da mãe, que é agressivo ao bebê, se faz necessário para o seu desenvolvimento. Esse afastamento é o que desencadeia a fase dos objetos ou fenômenos transicionais.

            Como o próprio nome sugere esse é um período de transição. Essa transição se dá em duas etapas, na primeira etapa a criança elege certos objetos que possam suprir esse afastamento brusco da mãe. O objeto aqui pode ser qualquer coisa, desde um bicho de pelúcia, a simples orelha de um bicho de pelúcia, o objeto não é necessariamente algo inteiro, pode ser apenas parte do todo. Esses objetos passam a ter um caráter afetivo e ajudam a criança a suprir a ausência da mãe. O uso de objetos faz com que a criança possa ir à segunda fase de estágio de transição que é chamado de estar só sem medo. Os objetos eleitos peã criança para suprir a ausência da mãe, faz com que a criança aprenda a viver só no mundo exterior. Esses objetos são importantes para o desenvolvimento psíco-motor da criança, pois sem esse desenvolvimento o bebê não desenvolverá o chamado amor maduro, que é o último estágio da dimensão amorosa ou afetiva.

            No chamado amor maduro a criança já é capaz de reconhecer o amor da mãe, mesmo ela estando longe, e a reconhece como um ser independente, e reconhecendo a mãe como um ser independente ela, a criança, se reconhece como um ser independente da mãe.

            O bom desenvolvimento da dimensão amorosa ou afetiva, do bebê pode auxiliá-lo, quando estiver inserido efetivamente na sociedade, a reconhecer relações reificantes, para que esse não se torne um ser reificado. Mas quando ele, efetivamente, estará inserido na sociedade? Quando for adulto e a começar a sua vida profissional, ou quando começar a freqüentar a creche ou a escola? Para Lukács, todas as relações na sociedade capitalista são reificantes. Logo, podemos afirmar que desde seu primeiro contato com a sociedade, o sujeito já está sofrendo a influência da reificação, sendo assim podemos afirmar que a reificação começa na escola.

            A escola, que deveria ser um local de aprendizagem, é um local que reifica o indivíduo. Pois a escola é apenas uma parte da sociedade, e como tal ela reflete também os interesses da sociedade. É na escola que certos valores, despercebidamente, são reproduzidos. Por exemplo, você só é visto como um sujeito socialmente aceito se usar um tênis de tal marca. Essa é uma atitude reificante que não considera o sujeito, mas o considera pelo o que ele usa. Não importa a sua inteligência ou a sua relação com seus pares e outros membros da sociedade, o que está em jogo é com que o sujeito faça parte do jogo; e fazer parte do jogo é ser um sujeito reificado, que aceita as regras do mercado que diz: que você será um sujeito melhor se usar o tênis tal, de tal marca, caso contrário, você não é aceito. Essas regras de mercado tende a ter um caráter universal, e são cruéis, principalmente com as crianças, tendo em vista que essas não têm maturidade suficiente para compreender o que está em jogo. Quando um pai ou uma mãe diz não para uma criança, essa muitas vezes não compreende o porquê desse não. A criança não recebendo o objeto de desejo, aceitável socialmente, pode se sentir menosprezado pelos seus colegas, tendo em vista que ele não tem o objeto aceitável, apenas um “símile”.

                   Se a criança tiver bem desenvolvida a primeira dimensão de reconhecimento talvez ela possa ignorar essas ações reificantes, negando dessa forma ser reificada e ser vista apenas como uma mera coisa, valorando-se como indivíduo, ou melhor, dizendo, se auto-valorando como sujeito. A expressão “se auto-valorando” tem um valor intrínseco ao sujeito, pois o sujeito se auto-valora, diz para si e sabe o valor que tem para si, negando dessa forma a reificação. Na sociedade capitalista, que é uma sociedade cujas relações tendem a ser reificadas, a auto-valoração só pode ter um caráter intrínseco ao sujeito, pois na sociedade capitalista o que é aceitável socialmente é a valoração mercadológica; ou seja, aquilo que o mercado diz que é aceitável. O sujeito que aceita a valoração mercadológica está se autorreificando; dessa forma o sujeito passa a ser visto como uma coisa pelos demais membros da sociedade. Contudo, não podemos afirmar que o sujeito que se autorreificou tem consciência que ele se tornou uma coisa, pois, ele faz parte de um sistema complexo que, talvez, não permita que ele tenha consciência do que esteja acontecendo consigo. Para que a reificação não tome conta de nossas vidas, devemos tentar eliminá-la já no seu estado embrionário, e onde estaria o embrião da reificação? Na escola.
            É na escola que iniciamos a nossa vida social e é na escola que começamos a ter contato com a reificação. Se não usamos o tênis tal não somos aceito, se usamos o tênis tal somos aceitos. Mas uma criança não está preparada emocionalmente para lidar com esse tipo de coisa, é nesse momento que deve aparecer as figuras da mãe e do pai, que serão importante para o desenvolvimento da criança, e para dizer como a criança deve lidar com essa situação. Aqui temos um ponto que pode ser decisivo para o futuro da criança frente a reificação, a atitude dos pais frente a uma situação que envolve o seu filho: comprar ou não comprar o tênis tal? Comprando o tênis tal deixarão o filho contente e ele será aceito facilmente pelos outros coleguinhas; contudo, podem estar dando o primeiro passo para que seu filho seja visto como uma”coisa” e não como sujeito, e podem estar facilitando dessa forma a sua autorreificação.Não comprando o tênis tal estarão dificultando a sua inserção no seu meio social; contudo, podem estar ensinando a criança uma grande lição, dizendo a eles que essas relações que se dão por aparência podem não ter um valor afetivo que deveriam ter, que as pessoas devem gostar dele pelo o que ele é, e não pelo o que ele possa ter ou aparentar ter ou ser.

            Esse primeiro “não” que os pais dizem à criança pode ser salutar nas suas futuras relações. Pois passando pela escola e se negando a ser reificado, chegando à idade adulta, talvez, esse sujeito possa perceber que a reificação está presente em toda a sociedade: no trabalho, em relações amorosas (nem todas, talvez), nas mídias e em geral. No trabalho podemos notar a reificação na impessoalidade no meio de trabalho e na uniformização dos empregados. Cada vez mais nos empregos os funcionários conversam menos entre si, as empresas criam cada vez modos de impedir o relacionamento entre seus funcionários: impedindo que colegas de serviço possam namorar, não contratando parentes de funcionários, fazendo divisórias entre uma mesa e outra. Outro meio de reificação encontrada pelas empresas é a uniformização de seus funcionários. O funcionário atualmente não usa apenas o uniforme da empresa, ele deve agir, ter uma postura tal, usar o corte de cabelo aceitável pela empresa, em certos casos estar bem barbeado; todas esses exemplos podem fazer com que o indivíduo passe a se sentir como uma “coisa” e perdendo assim a sua pessoalidade, tornando-se assim reificado. Mesmo superando o obstáculo de ser reificado na escola, recebendo apoio da mãe e do pai, o sujeito quando chega ao meio profissional pode ser reificado. Pois, quando chega ao meio profissional o sujeito se depara com aquela uniformidade da empresa onde os sujeitos se vestem igual, estão barbeados e usam o mesmo corte de cabelo (no caso dos homens), os sujeitos não conversando uns como os outros, ele pode achar que esse ambiente impessoal do trabalho seja normal, aceitando assim a reificação.

            Para que isso não acontece, a mãe e o pai desse sujeito devem prepará-lo desde novo para a vida. Ainda lá na escola quando a criança tiver seu primeiro contato com a reificação, sua mãe e seu pai devem lhe dizer que não é só na escola que a reificação está presente, ela pode estar presente em todas as nossas relações: trabalho, conversas informais. Temos que saber reconhecer a reificação, e ademais, temos que saber como não ser reificados. Só podemos reconhecer a reificação se tivermos um bom desenvolvimento da primeira dimensão do reconhecimento, amoroso ou afetivo, contudo afirmo aqui que essa dimensão do reconhecimento tem que estar sempre presente em nossas vidas, pois, não podemos viver sem amor e sem sermos afetuosos.     

Referências:
Honneth, Axel. Luta por Reconhecimento. Editora 34, 2ª edição (2009)
Honneth, Axel. Reificação: um estudo de teoria do reconhecimento.
Hegel, Georg W. F. Fenomenologia do Espírito. Editora Vozes, 9ª edição (2002)
Adorno, Theodor W. e Horkheimer, Max. Dialética do esclarecimento.  (Fonte: http://antivalor.vilabol.uol.com.br)

Lukács, Georg. História e consciência de classe. Editora Martins Fontes (2003)

         Olá queridos Filósofos do Cotidiano! Esta é a primeira aula do curso de Ciência Política da ECA/USP de 2013, ministrado pelo prof...

O que é política - Clóvis de Barros Filho

         Olá queridos Filósofos do Cotidiano! Esta é a primeira aula do curso de Ciência Política da ECA/USP de 2013, ministrado pelo professor Clóvis de Barros Filho. Uma ótima oportunidade de ficar por dentro desse assunto tão polêmico atualmente, mas de indiscutível relevância. Dê play e bons estudos!


Créditos: Danyel Masullo

por Renan Peruzzolo A Constituição Federal Brasileira, no Art. 5º, assegura: Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qua...

Cidadania, Identidade e Sociedade

por Renan Peruzzolo

A Constituição Federal Brasileira, no Art. 5º, assegura:

Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.

Desde o nascimento de um ser humano, quando somos literalmente enxotados, por nossa própria vontade, do lugar ao qual foi o melhor ambiente que se pôde estar, no qual, mesmo que não saibamos, ou seja, não tenhamos a plena consciência¹ de que temos vida a partir da cópula das células reprodutoras (espermatozóide e óvulo), uma carga histórica começa a ser construída.

Antes mesmo de conseguirmos pensar em situações mais complexas, distantes das de compreender que uma maçã é uma maçã, somos inseridos na sociedade de forma jurídica por meio da Certidão de Nascimento, que além de ser um documento de identificação, é a primeira garantia de cidadania e direito a todos os brasileiros.

Porém, será que a validade para o termo definido de Cidadania encontra-se somente como aspecto jurídico, ou seja, somos cidadãos somente perante a lei quando fazemos parte de uma sociedade ou pertencemos a tal cidade?

Um embate muito grande nessa esfera de pensamento acontece quando o termo liberdade², como a de expressão, por exemplo, é vista como libertinagem³, ou seja, quando fazemos parte de uma esfera social mais abrangente, como a cidade, estado, etc, somos vistos como cidadãos, mas até mesmo nas simples relações familiares, é preciso haver bom senso de todos que fazem parte do processo de discussão para, enfim, chegar a um acordo no qual todos saiam satisfeitos com o resultado.

O que ocorre, de fato, é que quando qualquer cidadão é julgado pela “Justiça”, que é regida pelas leis, não se considera a carga histórica individual. Além disso, muitas vezes, consagra-se a ideia de que a teoria é uma e a prática é outra, sendo que nesses casos a carga histórica que influencia na causa é a de quem julga, pelo fato de ter vivido em meio a certa cultura que condena tal prática a ser julgada.

Em concepção, o que deveria ocorrer, como segue os preceitos de Justiça desde a Grécia Antiga, representada pela deusa Têmis, por meio da qual a justiça é definida, no sentido moral, como o sentimento da verdade, da equidade e da humanidade, colocado acima das paixões humanas, ou seja, está vendada significando justamente a imparcialidade.

Assim como em muitos países a maconha (cannabis) é uma substância legal para consumo, o indivíduo que a consome tem liberdade de fazê-lo, desde que seja cadastrado pelo Governo e compre a ‘droga’ proveniente do mesmo e/ou tenha licença para plantio. Caso esse do Uruguai. Em muitos outros países essa tomada de decisão do governo uruguaio, que na época era presidido por José ‘Pepe’ Mujica, parece ser uma afronta aos preceitos de vida, contudo em ambos os cidadãos estão cumprindo as leis, ou seja, efetivando seu papel de cidadão.

A questão que segue é a seguinte: O que precede os valores de cidadania? Somos consultados, dentro da liberdade de cada um, se é de vontade própria seguir esses preceitos de Cidadania?

Como dizia Montesquieu: “Liberdade é o direito de fazer tudo o que a lei permite.”

A resposta encontra-se com breve reflexão do que é a vida em sociedade. No entanto essa questão não se resume em lei, por mais que haja e seja muito bem lembrado que todos têm direitos e deveres, mas sim, dentro da consciência de cada um, de que é importante sentir empatia. Percebe-se nesse momento que todos temos uma identidade que vai muito além de um nome, um número, há uma personalidade que ainda pode ser desconhecida  devido a dificuldade de auto-conhecimento, mesmo assim, torno ao início, essa construção se inicia dentro do ventre, através das experiências maternas que o feto sente juntamente e isso pode acarretar em inúmeros aspectos no indivíduo futuramente.

E onde está a Justiça em meio a isso tudo?

Pode parecer que estou eximindo a parte que condiz com os deveres de possíveis indivíduos vistos como ameaça à sociedade e, de fato, talvez o possam ser, mas deve-se pensar também que, por mais que depois de certa idade todos, por meio da sociedade, saibam as definições de ‘certo e errado’, o indivíduo se comporte de certa forma simplesmente por ele ser assim. As pessoas são diferentes e, por incrível que pareça, é justamente isso que nos torna iguais perante a lei, que é colocada como forma fixada deste preceito.

Émile Durkheim já dizia que a sociedade, como tal o é, tem participação direta na formação do indivíduo que vem ao mundo, ou seja, “A sociedade constrói o indivíduo’, partindo do princípio em que a sociedade está evidente ao correr dos tempos e o indivíduo nasce em meio às transições de funcionamento da mesma que são regidas através de uma cultura, tradição. O ser absorve e torna-se apenas uma engrenagem dessa máquina tão complexa, porém esse pode não se adequar a esse modo de funcionamento, pois é aí que surgem os problemas. Por meio desse pensamento, percebe-se que a sociedade é mais ‘forte’ e que o indivíduo sozinho não é capaz de transformá-la de acordo com seus ideais, por isso da importância de compreender o fundamental sentimento de empatia do ser único para com o corpo social. Obviamente que o Estado e/ou os grupos sociais não podem exprimir o indivíduo, pois é justamente aí que surgem os, ditos anteriormente, seres ameaçadores da harmonia social.

A partir do momento em que o indivíduo fica a par da ‘definição ideal’ de cidadão, mesmo não o sendo, ele se torna uma ameaça ao ‘bom funcionamento’ da política(gem) do ‘manipulador’. Mesmo quando há a política (democrática) de fato, o indivíduo, por se sentir fora do projeto de vida social e contribuinte com seu potencial (e não somente como contribuinte financeiro), pode sim se tornar uma ameaça, se o mesmo já tiver inclinações para cometer delitos o fará sem remorso.

O indivíduo pensante, que pode ser denominado de Governante Potencial, também pode ser considerado ameaçador, pois incomoda a ‘harmonia’ que, principalmente, os detentores do poder almejam, sendo que os ‘bons cidadãos’ são aqueles que se comportam de forma submissa, não somente como mão-de-obra, mas também em ideais (pensamentos), concorda com tudo que lhe é imposto.

Nesse contexto os interesses deveriam ser apenas socais, coletivos e não individuais ou privados, como ocorre muitas vezes. É preciso lembrar que cidadão é todo e qualquer indivíduo pertencente (que faça parte) à cidade (sociedade em termos gerais), portanto o rico, o pobre, do político ao pedreiro têm os mesmos direitos e deveres.

Então, podemos considerar que o complexo é muito mais abrangente e necessita de muitos estudos para se chegar a uma hipótese convincente de como se fazer justiça, devido às diferenças que há em uma sociedade.

¹.  1.Conjunto formado pelos fatos psíquicos e pela atividade mental de que há consciência clara, por oposição ao subconsciente; 2. Que sabe o que faz; 3. Que tem consciência da própria existência; 4. Cujo sistema nervoso central que permite pensar, observar e interagir com o mundo exterior.
². 1. Direito de proceder conforme nos pareça, contanto que esse direito não vá contra o direito de outrem; 2. Condição do homem ou da nação que goza de liberdade; 3. Conjunto das ideias liberais ou dos direitos garantidos ao cidadão.
³. Devassidão.

por Ricardo Luis Reiter     Cada dia fica-me mais claro que a melhor definição, mesmo que seja por um exemplo, sobre o que é hipocrisia...

Hipocrisia Política

por Ricardo Luis Reiter
    Cada dia fica-me mais claro que a melhor definição, mesmo que seja por um exemplo, sobre o que é hipocrisia política, é aquela que nos foi deixada por Renato Russo. O líder da banda Legião Urbana assim cantava (e hoje nós ainda repetimos, como se fosse uma mantra sagrado): Ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da Nação. Logo após, vem a derradeira pergunta: Que país é esse? E os fãs tem a audácia (ou será criatividade?) de responder: é a p### do Brasil.
     Dando continuidade ao tema que já iniciei no texto que foi uma introdução política[1] (ou ao menos, à minha compreensão política), hoje avançaremos em nossa discussão e analisaremos e aprofundaremos a seguinte questão: o que leva a Política a curvar-se aos interesses políticos? Ou, dito de outra forma, quais as consequências da Política curvar-se aos interesses políticos?
       E aqui preciso fazer uma pequena nota.
      Referir-me-ei aqui ao termo Política no que diz respeito ao conjunto de leis de determinado setor (ou a soma dos conjuntos de leis de todos os setores). Por exemplo, Política de Educação diz respeito ao conjunto de leis que regulamentam e direcionam o modelo, ou modo da educação ser pensada e executada dentro de um território. O mesmo acontece com a Política da Assistência Social, Política de Segurança Pública, Política de Habitação, etc. Diante disso, quando eu usar o termo Política estarei me referindo ao conjunto de todas as Políticas específicas. Em outras palavras, em termos mais filosóficos, Política irá se referir ao contrato social que rege as condutas dos cidadãos dentro de determinado território, bem como as contrapartidas oferecidas pelo governo. Pode parecer confuso, mas durante a leitura ficará mais claro e essa noção geral será facilmente compreendida.
Há uma categoria de pessoas felizes. Essas pessoas felizes no Brasil seriam aquelas que acreditam profundamente, e são muitas pessoas acreditam, que a corrupção está a encargo de um partido. As pessoas que acham que a corrupção está a cargo de um partido, e que bastaria tirar esse partido do poder, para que o reino da justiça e da igualdade se instalasse no país, são pessoas muito felizes. São pessoas que substituíram cultos como do Papai  Noel e do Coelhinho pelo culto da corrupção isolada. E quando eu digo isso, eu não estou dizendo que um ou outro partido não são notáveis pela corrupção. Estou dizendo aquilo que venho dizendo seguidas vezes em muitas manifestações na televisão ou em textos, que a corrupção que Hamlet nota começa no leito da sua mãe na Dinamarca. A microfísica do poder. A corrupção começa no andar pelo acostamento. A corrupção começa no recibo de dentista comprado para entregar um Imposto de Renda. A corrupção continua no atestado médico falso entregue pelo pai para justificar o filho, que apenas vagabundeou para a prova. A corrupção continua com o colega que, na aula de ética política em filosofia, assina a lista pelo colega, estudando Espinoza e a sua ética. A corrupção continua em todos os lugares, é apenas numa ponta do iceberg, como último elemento da corrupção, ela chega a um partido, a um governo e a um poder. Se a corrupção fosse de um grupo, eu seria um pessoa profundamente feliz. Rejeitaria Hamlet, adotaria Paulo Coelho, seria uma pessoa absolutamente tranquila, porque a partir desse momento, eu teria consciência de que eliminando aquelas pessoas que são do mal, eu estaria livre. Hamlet vai percebendo que o mal vai por todos os lados, inclusive nele e a consciência, como ele diz no seu mais famoso monólogo, ele vai dizer a consciência nos torna covardes.[2]
    A democracia brasileira (e na verdade, todos os modelos de governo brasileiro) carregam o estigma da corrupção. Há aqueles que defendem que a ditadura foi o governo menos corrupto que nosso país experimentou. E isso é facilmente compreensível. Não havia internet, tudo era mascarado, a mídia estava ao lado do governo, a oposição era silenciada (basta lembrar da célebre canção de Chico Buarque e Milton Nascimento – Cale-se) e os poucos documentos foram destruídos. Sem registro ou alguém para contar a história, a mesma pode ser recontada como convém. Fato é que a democracia atual, unida ao poder de comunicação das redes sociais permite reações maiores e espontâneas ao que é revelado.
   A análise de Karnal, fundamentada em Hamlet, revela uma verdade que poucos dão-se conta. Em primeiro lugar, a corrupção não é algo que diga respeito apenas ao partido político que está no poder. Ela se enraíza na Política em sua base. Mas deixemos esse primeiro ponto a ser discutido um pouco mais adiante. Em segundo lugar, a corrupção penetra a todos. Todo homem tem seu preço. Alguns possuem um preço muito baixo e são mais suscetíveis a serem corrompidos. Outros possuem um preço muito alto e torna-se desinteressante tentar corrompê-los. Mas todos temos nosso preço. A prova disso está no modelo político: toda figura política foi alguém comum alguma vez. Qualquer um pode galgar os degraus da política. E quanto mais subir, maior será a oferta pela sua corrupção.
     Mas eu apresentei que analisaríamos o porquê da Política curvar-se aos interesses políticos. E aqui voltamos novamente ao primeiro ponto, sem perder de vista o segundo. Fato é que o modelo político brasileiro, ou a democracia brasileira (e isso é comum em todas as democracias) é um espelho da sua sociedade. Se hoje a estrutura política brasileira está corrompida é porque, em primeiro lugar, a sociedade está corrompida. Porque duas são as portas de entrada da corrupção dentro da estrutura governamental de um Estado. A primeira é elegendo pessoas que tenham um preço muito baixo. E aqui não existe muito o que possa ser feito para prever se o candidato irá ou não se corromper. A segunda porta de entrada diz respeito as nossas corrupções pessoais. E aqui sim nós podemos agir. Karnal apresenta exemplos de corrupção diárias. Momentos do nosso cotidiano em que lançamos mão do famoso jeitinho brasileiro. Mas o brasileiro, que tanto protesta contra a corrupção, lança mão de artimanhas que usam da corrupção para serem efetivas para facilitar seu dia a dia. Eis a hipocrisia política. Voltarei a ela para fechar esse artigo muito em breve.
      Eu, entretanto, vou analisar agora como a Política deixa de cumprir seu papel e passa a servir aos interesses políticos. E o farei aqui de uma forma um tanto acusatória. A Política, indiferente de qual das áreas (saúde, segurança, educação, assistência social, previdência, etc.) é executada por pessoas comuns que, geralmente, desempenham seu papel como agentes da Política, através de nomeações em concursos públicos. Até aqui nenhuma novidade. E se funcionasse assim, a Política não se curvaria, ou seriam muito menos propensa a curvar-se aos interesses políticos. A realidade, no entanto, não é nenhum mar de rosas. Acontece que a Política, indiferente de qual área, está nas mãos de pessoas cujo preço é muito baixo. É discrepante o número de concursados que, em sua posse, visitam gabinetes de deputados e filiam-se a partidos políticos, buscando vantagens como redução de carga horária, benefícios que não lhe cabem ou o famoso CC (cargo de confiança) para uma familiar próximo. É exatamente aqui que a Política começa a se submeter, a se curvar aos interesses políticos partidários. Porque nenhum benefício vem de graça. Chegará o momento da cobrança. E aquele que se vendeu não poderá dizer não. Terá que ir contra ao que está previsto na Política para satisfazer os interesses partidários daquele que lhe conseguiu benefícios. É aqui que a corrupção penetra nas bases do modelo político brasileiro. No ato de cada funcionário público que não cumpre com seu dever. E que dever é esse? Garantir que a política seja aplicada de forma a garantir o acesso da população a ela.
       Mas o que vemos são inúmeras crises em várias secretarias e ministérios. Rombos atrás de rombos. Prefeituras com mais da metade de seu orçamento comprometido com a folha de pagamento da “máquina pública”. Excessos de cargos de confiança, alguns até chegam a ser ridículos, pois nem escondem o seu verdadeiro papel, como é o caso dos articuladores políticos regionais.
       A realidade das secretarias e ministérios, corrompidos até sua raiz, seriam um deleite para autores como Maquiavel. São tantas manobras políticas, tantos cargos prometidos, tantos favores devidos, que não é de se espantar que pouco ou quase nada funcione de forma medíocre. Sim, medíocre, porque o que não é medíocre simplesmente é ridículo. As diversas Políticas não conversam. As secretarias e ministérios não conseguem sentar e criar metodologias em conjunto para a aplicação de suas respectivas Políticas. A população fica à mercê de um funcionalismo público corrupto, mal humorado e sem nenhuma pretensão de cumprir seu papel.
      E por fim, voltamos a hipocrisia política. O cidadão que reclama dos péssimos serviços é também aquele que, ao invés de acionar os órgãos de defesa ao consumidor, acaba optando por “molhar a mão” de quem está lhe atendendo, lançar mão de influência política partidária, buscar brechas para facilitar seu atendimento... Por não ter estudado política, proclama em alto e bom tom que não gosta de política e portanto não tem obrigação de estudar ou ler sobre política. Torna-se assim um analfabeto político que age como um hipócrita político, batendo panela que foi comprada sem nota fiscal, usando camisa da seleção comprada dos “camelôs”.
“Ninguém respeita a constituição, mas todos acreditam no futuro da nação.”



[1] REITER, Ricardo Luis. Analfabeto político: para que (m) serve? – introdução ao pensamento político. Disponível em http://blogdokadoreiter.blogspot.com.br/2016/03/analfabeto-politico-para-que-m-serve.html
[2] KARNAL, Leandro.Hamlet de Shakespeare e o mundo como palco. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=GJ2gx1SCUiM a partir de 31min e 45 seg.



        por M arcelo Teixeira de Jesus               O atual momento político no Brasil se mostra preocupante, pois vivemos uma crise ...

É possível a ascensão da extrema direita no cenário político brasileiro?

        por Marcelo Teixeira de Jesus

              O atual momento político no Brasil se mostra preocupante, pois vivemos uma crise de credibilidade dos poderes institucionais. Parece que nenhum dos três poderes se salva nessa crise. O executivo envolvido em denúncias de corrupção, apesar de as provas não atingirem a presidente da república; o congresso sendo presidido por um político que responde a processo no STF; o senado sendo presidido por um senhor cuja índole não parece ser das melhores; um judiciário com juízes que parecem querer fama ou virarem estrelas.
            No início do mês de março a justiça brasileira autorizou a condução coercitiva do ex-presidente Lula. É claro que ninguém está acima da lei, mas essa medida foi desproporcional, pois o ex-presidente nunca se negou a depor. Vazamentos de informações tanto da Polícia Federal, quanto do judiciário acontecem comumente. Liberações de escutas telefônicas envolvendo a Presidente da República, conseguidas de forma irregular, são alguns exemplos de como alguns juízes estão agindo, agindo como justiceiros, mas eles devem, ou deveriam, cumprir o que diz a legislação. No dia 17 de março, Lula assumia posse como ministro chefe da casa civil. A partir desse fato houve uma enxurrada de liminares que ora cassavam seu mandato, ora permitia que ele assumisse o cargo.Essa “confusão” durou até a decisão do ministro Gilmar Mendes do STJ cassar definitivamente a posse de Lula.
            No dia 13 de março houve diversas passeatas pelo Brasil pedindo o impeachment da presidente Dilma. O pedido de abertura de processo de impeachment da presidente Dilma foi aceito pelo presidente do congresso nacional em dezembro do ano passado. O que há de estranho nessa história é Eduardo Cunha, presidente da casa, só ter aceito o pedido de impeachment depois que o Partido dos Trabalhadores (PT) informou que não votaria a seu favor na comissão de ética no congresso. Até que ponto se pode considerar que Eduardo Cunha agiu com honestidade para aceitar abertura do processo de impeachment, ou se agiu por vingança, pois o mesmo já havia negado vários pedidos de processo contra a presidente Dilma. As passeatas do dia 13 de março se dizem apartidárias. No dia 18 de março tivemos passeatas pró Dilma, que foram chamadas por partidos que compõem a base governista e centrais sindicais ligadas ao PT. Essas passeatas mostraram claramente que o Brasil está divido.
            Essa atual dicotomia que vivemos poderia abrir espaço para uma direita ultraconservadora. A crise institucional que vivemos no momento faz surgir velhos fantasmas da nossa história. Um desses fantasmas seria a volta da ditadura militar no Brasil. O período da ditadura militar, que contou com o apoio de vários segmentos da sociedade civil brasileira, foi terrível para a sociedade brasileira:pessoas desapareciam, ou eram torturados, os direitos civis foram cassados. É um período negro na História do Brasil. E muitas pessoas que viveram esse período querem o retorno dos militares ao poder, jovens que também não viveram essa época se iludem com a “maravilhosa sociedade brasileira” dessa época. É triste saber que pessoas querem o retorno de uma ditadura que matou e torturou pessoas.
            Ademais, há políticos, eleitos que cumprem mandato, que defendem uma linha de governo ‘linha dura’, que é o caso do deputado Jair Bolsonaro, capitão da reserva do exército brasileiro. O deputado Jair Bolsonaro é conhecido por suas declarações machistas, racistas e homofóbicas. Ele já declarou que será candidato a presidente em 2018. Entre suas declarações está uma em que ele diz “bandido bom é bandido morto”, entre outras. Bolsonaro não se preocupa em como resolver o problema da criminalidade no Brasil e nem apresenta propostas que possam solucionar os problemas sociais do país. Além disso, se une a políticos tão retrógados quanto ele, como o deputado e pastor Marco Feliciano. Feliciano já demonstrou interesse em participar como vice na chapa de Bolsonaro em 2018.

            O atual cenário político brasileiro pode fortalecer a nossa democracia, contudo pode nos levar a uma crise sem precedentes, caso a direita ultraconservadora consiga chegar ao poder por uma via democrática. Caso eles consigam isso acharão que estarão legitimados a fazerem o que quiserem. 


O Projeto Filosofia do Cotidiano abre espaço para todos que desejam publicar. conteúdo independente.
As postagens expressam a opinião do autor e não necessariamente a linha de pensamento do Projeto.

por Ricardo Luis Reiter O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos polític...

Analfabeto político: para que (m) serve? – introdução ao pensamento político


por Ricardo Luis Reiter

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.
BRECHT, Bertolt
         O grande mal, ao meu ver, não é um governo corrupto, nem tampouco a falta de um alinhamento político dos partidos. O problema, assim parece-me, é de outra ordem. De outra instância, poderíamos dizer também. Não falta ao Brasil partidos ou políticos; aliás, temos em excesso até. O que falta é, antes de mais nada, é um compromisso com a política. Porque política não é algo que dependa de partidos políticos. Política diz respeito às leis gerais que regem nosso contrato social. Política é o que nos permite viver em sociedade. Então, é inviável alguém defender a máxima: “eu odeio política”. Tal cidadão, em análise substancial, está dizendo: “eu odeio viver em sociedade”. Em suma, ou ele é um caso máximo de egoísmo, ou ele tem sérios problemas de saúde mental.

Bom dia! é com alegria que viemos por meio deste anunciar nossa primeira semana temática do Filosofia do Cotidiano! E nossa pri...

1ª SEMANA SOBRE POLÍTICA - FILOSOFIA DO COTIDIANO

Bom dia!



é com alegria que viemos por meio deste anunciar nossa primeira semana temática do Filosofia do Cotidiano!

E nossa primeira semana será sobre política, trazendo, diariamente, as 15 h, produções que visam esclarecer e expandir nosso horizonte sobre a compreensão política do cenário atual.

Já que política é algo que não se deve discutir em sala de aula, vamos dicutí-la aqui!

Façam bom proveito desse espaço!

At.

Ricardo Luis Reiter
Bacharele  Licenciado em Filosofia
Responsável Geral
Filosofia do Cotidiano

1 INTRODUÇÃO A crítica da religião de Marx é resultado de itinerário crítico que começa com Hegel, tem um posicionamento fundamental...

DO HOMEM PARA A SOCIEDADE - A crítica da religião apresentada por Marx


1 INTRODUÇÃO

A crítica da religião de Marx é resultado de itinerário crítico que começa com Hegel, tem um posicionamento fundamental em Feuerbach e culmina na crítica social de Marx.

O Espírito Absoluto, tão presente na filosofia de Hegel, é abandonado por Feuerbach e Marx. Ambos foram hegelianos por um certo período de suas vidas. Feuerbach cria um movimento de esquerda hegeliana e cai num materialismo, reduzindo a religião à antropologia.

Já Marx, concorda com o materialismo de Feuerbach, mas crítica fortemente o colega por este ter se detido diante do problema sem conseguir resolvê-lo. Se o homem é o agente criador da religião, e o homem é um ser histórico – social, então o grande problema e alvo da crítica deve ser o sistema social que permite que surjam fenômenos religiosos alienantes.

O presente trabalho buscará esclarecer mais a postura e o caminho de Marx desde a antropologia de Feuerbach até a sua conclusão de que a sociedade é o mal a ser combatido. Serão analisados no presente trabalho os sete primeiros parágrafos da introdução da Crítica da filosofia do direito de Hegel. Vale ressaltar que a introdução foi colocada como anexo na obra consultada.

É triste você buscar tentar criar um diálogo com alguém, ainda mais um filósofo, e este argumentar dizendo que dívida histórica não exist...

Não confunda discurso de ódio com liberdade de expressão

É triste você buscar tentar criar um diálogo com alguém, ainda mais um filósofo, e este argumentar dizendo que dívida histórica não existe. E ir além, usar uma série de pensamentos e falas preconceituosas para defender seu ponto de vista...

É entristecedor você ler algo de tão baixo teor mental e tão preconceituoso. Se bem que sempre desconfiei que o preconceito nasce a partir de atitudes e pensamentos de pessoas com total ausência de espírito filosófico e sem nenhuma atividade racional. E o racismo (palavra em si já preconceituosa) e os demais preconceitos são diretamente proporcionais com a estupidez de quem os profere. Sendo assim, desconfio que o autor dessa definição tenha menos atividade intelectual de caráter filosófico que uma couve-flor. 
Busco, no meu cotidiano, seguir o conselho de Le Blanc e fazer da filosofia um moderador das diferentes formas de pensamento e não conceituar a mesma como a polícia do pensar. Mas, diante de tais absurdos, é impossível não se apresentar. Porque dessas definições baratas surgem discursos de ódio que acabam se concretizando em chacinas. O preconceito é fruto de uma mente alienada, fechada em seus próprios conceitos e, na melhor das hipóteses, preocupada apenas consigo mesmo.

Existe um abismo que difere discurso de ódio de liberdade de expressão. Agora, ter a clareza suficiente de conseguir visualizá-lo nem sempre está presente nos interlocutores. E convenhamos que o anonimato da internet em nada ajuda a coibir falas e pensamentos que incitam o ódio social. Entretanto, espera-se que pessoas com formação acadêmica, ainda mais em filosofia, tenham a fineza de perceber tal abismo e consigam medir suas palavras. Não se trata aqui de manter discursos politicamente corretos ou que não tragam nenhuma crítica. Porque o discurso precisa dizer algo, precisa transmitir o pensamento e o sentimento do seu autor. Mas não deve de forma alguma incitar o ódio. É preciso aqui aprender com Epicuro, ter uma razão vigilante que nos aponte e esclareça sempre a diferença.
De minha parte é isso, espero que entendam que nem tudo é filosofia. Não é um diploma que dá legitimidade à tudo que decido falar. E tem coisas que é melhor eu nem conceber; e se por acaso as concebo, então devo calar-me para não passar vergonha...

PS. História ficcional com personagens ficcionais Qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência."
Filosofia do Cotidiano. Tecnologia do Blogger.