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Por Renan Peruzzolo A IMPORTÂNCIA DA ÉTICA NA SOCIEDADE Uma das características essenciais do ser humano é a sua sociabilidade....

Vamos falar de Ética?


Por Renan Peruzzolo

A IMPORTÂNCIA DA ÉTICA NA SOCIEDADE

Uma das características essenciais do ser humano é a sua sociabilidade. Logo, a pessoa pode somente tratar de ética quando está inserida em uma sociedade. Para que se possa compreender a ética em si, é preciso primeiramente que se entenda por que o seu estudo é de tal importância.

Sem que percebamos as relações interpessoais cotidianas, devido em boa parte, às práticas capitalistas que geram individualismo, fatores, que são essenciais para a construção – ou não - da ética, permeiam o ambiente a todo o momento. O indivíduo não reflete sobre a importância do outro em sua vida e a interferência que esse tem sobre a sua conduta. Se o fizesse, tomaria consciência de que, talvez, não seria quem és. Outro caso em questão é a dificuldade que se tem de tentar entender o outro, ou seja, pensar por um momento conforme a linha de raciocínio alheio. Isso não significa concordar com o outro, mas sim, se permitir às novas ideias e respeitá-las.

A ética é construída a partir da moral de cada grupo social inserido em uma sociedade, com o intuito de aprimorar a sobrevivência e a convivência dos que ali se fazem presente. Assim sendo, ambas são fruto do contexto (período histórico) e dos diálogos existentes – ou que deveriam existir – entre os indivíduos, haja vista que todas as pessoas são diferentes, devido a sermos seres históricos.

Um exemplo concreto disso ocorre a partir do período compreendido como Modernidade, onde se dão muitas mudanças sociais e, consequentemente, na forma de pensar a sociedade. O homem se afasta da ideia religiosa (teocentrismo) e se coloca como centro da discussão existencial/social (antropocentrismo). Houveram inúmeros progressos posteriores a essa época, porém como o homem passou a não ter mais dever de fazer o certo temendo algo divino (sofrimento após a morte), pensou-se por um momento que tudo lhe era possível, não impondo limites em seus experimentos e afins.


ÉTICA, MORAL E CULTURA

Apesar de muitas vezes serem confundidas por estarem fortemente interligadas, ética e moral não são a mesma coisa. Ética vem do grego éthos (comportamento); Moral vem do latim mos-mores (costumes, valores de determinada cultura). Contudo as diferenças não se resumem na etimologia somente. Assim como foi dito anteriormente, a moral é basilar à ética e compreende as normas de conduta, costumes, valores correspondente aos grupos sociais em particular, sendo assim, se fundamenta em preceitos culturais, históricos, discernimento de bom e mau, certo e errado.

A ética é construída, portanto, através do diálogo entre os indivíduos, sendo considerada um conjunto de regras, não necessariamente escritas, que visam o bem viver geral e a harmonia da sociedade, definindo a boa ou má conduta dos indivíduos.

Através da tomada de consciência individual, por meio desses conceitos é possível garantir a cidadania, que compreende a capacidade política da pessoa frente à cidade. No entanto, obviamente, isso só é alcançado quando permite-se que o cidadão tenha clareza e liberdade para o fazê-lo, o qual em uma ditadura se torna inviável.

Fala-se do indivíduo perante a sociedade, dando-se a entender que a prática ética inicia-se já com o indivíduo em fase quase adulta, mas a ética deve estar presente desde a primeira infância, ou melhor, ela deve fazer parte indiscutível da educação, que por sua vez começa na família, a qual tem grande e indispensável parcela de responsabilidade.

Tudo isso faz parte da cultura de uma população humana. Se tratando do Brasil, essa cultura toma outros caminhos, como por exemplo, situações onde a família inexiste. Fator presente e explícito em nossa sociedade nacional é a violência, que parece estar arraigada, presente em todas as etapas da vida do indivíduo, como na família, na escola, no trabalho. Tal provém do preconceito e discriminação contra grupos sociais que possuem uma cultura minoritária ou não, sendo em todos os casos marginalizada e colocada como inferior a outra, de fato, vigente.

Por isso pode-se concluir que a moral de determinado grupo, às vezes, não condiz com uma postura ética, pois dogmatiza seus valores e ideais, ou seja, se torna um fundamentalismo e/ou fanatismo, pré-conceituando os demais indivíduos de outras culturas através de estereótipos. Isso acontece nos casos de racismo, onde há uma atitude etnocêntrica. Somente por meio da autocrítica é possível reverter esse quadro.


PENSAMENTO FILOSÓFICO E A ÉTICA

A ética e a moral fizeram parte dos estudos filosóficos desde os primórdios pré-socráticos (Grécia antiga). A filosofia, por ser etimologicamente conceituada de “Amor ao Saber” (Philo=Amor; Sophia=Sabedoria), interessa-se, de forma óbvia, pela reflexão existencial, social, fenomenológica, conceitual, linguística; logo instiga o indivíduo a pensar sobre o cotidiano e como tais ações corriqueiras, até então, refletem no organismo social.

Muitos acreditam que a filosofia se faz distante, por eruditos e indivíduos rebuscados, contudo o que ocorre é mais simples do que se imagina. Basta, primeiramente, colocar um ponto de interrogação em grande parte dos nossos pensamentos e conduta. Simplificando, o primeiro passo é interrogar-se “Por quê?” da vida ser de tal forma, principalmente nos aspectos éticos e morais. Sendo assim, “não é possível ser ético sem, antes de tudo, ser reflexivo e crítico” (p. 52) Tratando disso, vários filósofos ao longo da história se interessaram em conceituar e/ou definir o que é ética e moral e, por conseguinte, como alcançá-las. Como Sócrates, que afirma não ser possível alcançar a ética como algo a ser repassado, mas sim somente pela virtude da procura interior. Já Immanuel Kant trata de moralidade e afirma que existem dois tipos, denominando-as de imperativo categórico, que seria um pressuposto de ética universal; e imperativo hipotético, ou seja, em determinada situação tem-se certa atitude justificável a um fim, esse modo de pensar o próprio autor condena, pois seria uma atitude a qual não se pode tomar como exemplo aos demais. Sartre, no entanto, irá dizer que o homem é responsável por si e por tudo que pratica, em suas palavras “o homem está condenado a ser livre.”

Assim, é relevante que o indivíduo reflita por que há pessoas morrendo de fome; outras que trabalham doze horas por dia; outras ainda que lucram sob o trabalho dos outros e vivem no luxo sem, ao menos, precisar assinar algum papel, ao invés de tomarem toda essa realidade por ‘normal’, justificando que em boa parte da história foi assim e irá continuar de tal forma.

A GLOBALIZAÇÃO E A ÉTICA

Uma questão preocupante na atualidade para o estudo da ética são as práticas capitalistas. Em outras palavras, o consumismo exacerbado, a detenção dos meios de produção e do lucro gerado pelo processo capitalista e, principalmente, o individualismo, culminam no pensamento de “querer é poder”, que por vezes é irrefletido por àqueles que deveriam se indignar com a sua situação, mas que não o fazem por falta de conhecimento.

O homem se apossa, primeiramente, da natureza, já que dela provém a matéria-prima para os produtos industrializados e, posteriormente, do ser humano que se encontra em situações de extrema necessidade, tomando dessa sua força de trabalho. Ao longo da história o ideal ganancioso dominou aqueles que detêm a maior parte da riqueza da Terra, fazendo com que a desigualdade político-econonômico-social ganhassem maiores proporções.

Com o avanço das novas tecnologias e, subsequentemente, da globalização, o progresso econômico (capitalista) passou por cima, literalmente, das diferenças culturais, homogeneizando o pensamento, os valores e os costumes dos povos, aproximando o mundo ao indivíduo e distanciando o mesmo do ambiente real em que vive.

Por meio das relações de privatização, o cidadão comum é levado a pensar, através da manipulação de massas, que consumir – objetos que, por vezes, ele nem sequer sabe para que serve realmente e/ou que não tem utilidade nenhuma, de fato, para a sua vida – e acumular bens  é a resposta para a autorrealização, acarretando ainda mais o afastamento do pensamento de convívio social ideal, ou seja, pensar no próximo.

Isso tudo faz com que a vida do ser humano, em sua quase totalidade, seja líquida (BAUMAN, Modernidade Líquida), em outras palavras, tudo se torna transitório, descartável, descompromissado. O ideal de crescimento econômico se sobrepõe ao desenvolvimento humano e os fins, de fato, justificam os meios sem maior remorso da destruição que essa situação causa não só ao ser humano, mas ao planeta.

OS CONFLITOS ÉTICOS DA SOCIEDADE ATUAL

Apesar de todos os avanços na esfera do direito, conquistados ao longo da história por meio da reflexão de certo e errado, de próprio ou impróprio, onde o ser humano evolui sua consciência e se permite ao pensar social, muitas questões ainda são consideradas pertinentes por possuírem uma ideia retrógrada, embasada em pressupostos escritos e/ou mitos de milhares de anos atrás. Por outro lado o pensamento utilitarista e a falta de perspectiva também contribuem para a continuidade no impedimento da evolução consciente e coletiva.

O olhar construído a partir da realidade individual fortalece o pensamento de “querer é poder” e produz a intolerância, que por sua vez, acaba acarretando um efeito de violência sobre as minorias e/ou aqueles que não se enquadram ao padrão imposto pela sociedade.

Questões como casamento entre pessoas do mesmo sexo; a eutanásia e a morte assistida; a pena de morte e, até mesmo, a relação do ser humano para com o meio ambiente, são temas, de fato, relevantes na atualidade e que geram grande polêmica por haver perspectivas e interesses divergentes, onde muitas dessas acabam desconsiderando a liberdade, o respeito e a responsabilidade que todos têm frente à construção da harmonia social.

Para isso, há tempo vem sendo construída e, de certa forma, afixada a ideia de Direitos Humanos, para que haja um entendimento consensual e a garantia de direitos a todos, o que por muitas vezes, fica apenas na teoria, visto que o cumprimento desses direitos torna-se distante da realidade daqueles que sobrevivem em condições quase desumanas, à margem da sociedade.

A Declaração Mundial dos Direitos Humanos (1948) teve três grandes fases, as quais podemos denominá-las de Primeira geração, correspondente aos direitos naturais e/ou inalienáveis, como a liberdade e a igualdade; de Segunda geração, que se configuram por direitos políticos e conceituam o indivíduo como cidadão; e os de Terceira geração que dizem respeito aos direitos sociais, os quais, pode-se dizer, estão em desenvolvimento, visto que essa ideia inicia-se a partir do século XX. A união desses três conceitos, a serem efetivados, garante a vida digna e plena, logo, a cidadania.

Mas antes de pensarmos em Diretos Humanos, os quais são, sem dúvida, de indiscutível importância, precisamos combater a cultura da corrupção, ou, em uma linguagem mais corriqueira, o famoso “jeitinho”. Devido a esse, o indivíduo naturaliza práticas que prejudicam e atrasam a construção da ética em uma sociedade, o que muitas vezes pode passar despercebido, visto que “todos fazem, por que eu não posso fazer?” ou “se eu não faço, o outro faz”. Procurar resolver de forma fácil e prática os problemas, em sua grande maioria, não se configura em uma atitude ética.

Dado o exposto, através da reflexão crítica e do diálogo continuado, visando a harmonia e o bem-estar social (integral), que se dá a partir do sentimento de empatia, pode-se concluir, mesmo com todas as dificuldades existentes, que é possível se construir uma sociedade igualitária e, consequentemente, justa, considerando o ponto inicial dessa caminhada a atitude ética que cada um é responsável de exercê-la.



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por Renan Peruzzolo A cada dia que passa dessa vida moderna, tão frenética e ociosa, procuro sempre, ao conversar com alguém ...

Viver em Equilíbrio é aceitar a Contradição; e o caminho é a Filosofia.



por Renan Peruzzolo

A cada dia que passa dessa vida moderna, tão frenética e ociosa, procuro sempre, ao conversar com alguém e/ou pensar tão somente, como diria Hannah Arendt (1906 – 1975) “Pensar é dialogar consigo mesmo.”; procurar entender o todo da situação, por mais que a realidade seja tão distante daquilo que vivo ou tenho como opinião.

Lembro-me muito bem de uma frase, a qual não recordo o autor, que dizia: “O verdadeiro problema da comunicação é que não ‘escutamos’ para compreender, e sim para responder.” Logo convenhamos que o indivíduo que age de tal forma não está disposto a aprender, ou seja, transformar nova informação em conhecimento. Com isso, quero lhe dizer, estimado leitor, que se não nos permitirmos à mudança de pensar, de viver, não é (não será) possível atingir o Equilíbrio, o que compreende, de fato, a Felicidade.

Muito além de passar horas meditando, adquirir uma roupa nova, ir em busca do amor da sua vida, comer e dormir de forma demasiada, a realização do ‘eu’ compreende-se em fazer tudo isso de maneira consciente. Não se deve negar que as contradições que a vida nos impõe às vezes nos chateiam, porque, obviamente, não é aquilo que imaginávamos ser o ideal, assim como numa segunda-feira chuvosa, onde acorda-se bem cedo para ir ao trabalho, o qual se fica sentado oito horas (ou mais), digitando e acompanhado intensamente a bolsa valores, (suponhamos), porém tem-se a consciência de que se passaram 6 meses de um forte seca, a qual fez o indivíduo da estória, trabalhar dobrado pelo fato dos preços de produtos agrícolas oscilarem facilmente. E aí? Odiar ou louvar a chuva? Pensando dessa forma, o que seria a perfeição?

Não basta apenas ver e ouvir, deve-se enxergar e escutar. Viver a vida de forma virtuosa possibilita muito além do estresse fútil cotidiano, lhe permite alcançar um estado de satisfação interior. Contudo, como foi chamada a atenção anteriormente, o primeiro passo é se permitir, e a filosofia é o caminho, aliás, é a própria filosofia. Como disse Immanuel Kant (1724 – 1804) “Não se ensina filosofia, ensina-se a filosofar.”

Talvez isso tudo seja uma besteira que não passe do sentimento de indiferença para com os outros, para consigo mesmo, para com o mundo e tudo se resuma em “deixa a vida me levar...”. Enfim, isso também depende somente da interpretação da realidade que cada um de nós faz. Sendo assim, ou não, o certo é que se o indivíduo se sente bem (fisicamente, psicologicamente, mentalmente...), com o tempo ele atinge o supremo estado metafísico: A empatia. Logo, se tornará um ser humano mais gentil, preocupado com o meio ambiente e com a natureza, interessado nos problemas sociais... Tudo isso, ou por meio disso, alcançando a realização interior.

Para finalizar gostaria de deixar uma frase de autoria própria: “Aprender a viver é viver em uma metamorfose constante, porém consciente.” – R. P.


Sugestão para ouvir: Não me Acabo – Barão Vermelho


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por Renan Peruzzolo A Constituição Federal Brasileira, no Art. 5º, assegura: Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qua...

Cidadania, Identidade e Sociedade

por Renan Peruzzolo

A Constituição Federal Brasileira, no Art. 5º, assegura:

Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.

Desde o nascimento de um ser humano, quando somos literalmente enxotados, por nossa própria vontade, do lugar ao qual foi o melhor ambiente que se pôde estar, no qual, mesmo que não saibamos, ou seja, não tenhamos a plena consciência¹ de que temos vida a partir da cópula das células reprodutoras (espermatozóide e óvulo), uma carga histórica começa a ser construída.

Antes mesmo de conseguirmos pensar em situações mais complexas, distantes das de compreender que uma maçã é uma maçã, somos inseridos na sociedade de forma jurídica por meio da Certidão de Nascimento, que além de ser um documento de identificação, é a primeira garantia de cidadania e direito a todos os brasileiros.

Porém, será que a validade para o termo definido de Cidadania encontra-se somente como aspecto jurídico, ou seja, somos cidadãos somente perante a lei quando fazemos parte de uma sociedade ou pertencemos a tal cidade?

Um embate muito grande nessa esfera de pensamento acontece quando o termo liberdade², como a de expressão, por exemplo, é vista como libertinagem³, ou seja, quando fazemos parte de uma esfera social mais abrangente, como a cidade, estado, etc, somos vistos como cidadãos, mas até mesmo nas simples relações familiares, é preciso haver bom senso de todos que fazem parte do processo de discussão para, enfim, chegar a um acordo no qual todos saiam satisfeitos com o resultado.

O que ocorre, de fato, é que quando qualquer cidadão é julgado pela “Justiça”, que é regida pelas leis, não se considera a carga histórica individual. Além disso, muitas vezes, consagra-se a ideia de que a teoria é uma e a prática é outra, sendo que nesses casos a carga histórica que influencia na causa é a de quem julga, pelo fato de ter vivido em meio a certa cultura que condena tal prática a ser julgada.

Em concepção, o que deveria ocorrer, como segue os preceitos de Justiça desde a Grécia Antiga, representada pela deusa Têmis, por meio da qual a justiça é definida, no sentido moral, como o sentimento da verdade, da equidade e da humanidade, colocado acima das paixões humanas, ou seja, está vendada significando justamente a imparcialidade.

Assim como em muitos países a maconha (cannabis) é uma substância legal para consumo, o indivíduo que a consome tem liberdade de fazê-lo, desde que seja cadastrado pelo Governo e compre a ‘droga’ proveniente do mesmo e/ou tenha licença para plantio. Caso esse do Uruguai. Em muitos outros países essa tomada de decisão do governo uruguaio, que na época era presidido por José ‘Pepe’ Mujica, parece ser uma afronta aos preceitos de vida, contudo em ambos os cidadãos estão cumprindo as leis, ou seja, efetivando seu papel de cidadão.

A questão que segue é a seguinte: O que precede os valores de cidadania? Somos consultados, dentro da liberdade de cada um, se é de vontade própria seguir esses preceitos de Cidadania?

Como dizia Montesquieu: “Liberdade é o direito de fazer tudo o que a lei permite.”

A resposta encontra-se com breve reflexão do que é a vida em sociedade. No entanto essa questão não se resume em lei, por mais que haja e seja muito bem lembrado que todos têm direitos e deveres, mas sim, dentro da consciência de cada um, de que é importante sentir empatia. Percebe-se nesse momento que todos temos uma identidade que vai muito além de um nome, um número, há uma personalidade que ainda pode ser desconhecida  devido a dificuldade de auto-conhecimento, mesmo assim, torno ao início, essa construção se inicia dentro do ventre, através das experiências maternas que o feto sente juntamente e isso pode acarretar em inúmeros aspectos no indivíduo futuramente.

E onde está a Justiça em meio a isso tudo?

Pode parecer que estou eximindo a parte que condiz com os deveres de possíveis indivíduos vistos como ameaça à sociedade e, de fato, talvez o possam ser, mas deve-se pensar também que, por mais que depois de certa idade todos, por meio da sociedade, saibam as definições de ‘certo e errado’, o indivíduo se comporte de certa forma simplesmente por ele ser assim. As pessoas são diferentes e, por incrível que pareça, é justamente isso que nos torna iguais perante a lei, que é colocada como forma fixada deste preceito.

Émile Durkheim já dizia que a sociedade, como tal o é, tem participação direta na formação do indivíduo que vem ao mundo, ou seja, “A sociedade constrói o indivíduo’, partindo do princípio em que a sociedade está evidente ao correr dos tempos e o indivíduo nasce em meio às transições de funcionamento da mesma que são regidas através de uma cultura, tradição. O ser absorve e torna-se apenas uma engrenagem dessa máquina tão complexa, porém esse pode não se adequar a esse modo de funcionamento, pois é aí que surgem os problemas. Por meio desse pensamento, percebe-se que a sociedade é mais ‘forte’ e que o indivíduo sozinho não é capaz de transformá-la de acordo com seus ideais, por isso da importância de compreender o fundamental sentimento de empatia do ser único para com o corpo social. Obviamente que o Estado e/ou os grupos sociais não podem exprimir o indivíduo, pois é justamente aí que surgem os, ditos anteriormente, seres ameaçadores da harmonia social.

A partir do momento em que o indivíduo fica a par da ‘definição ideal’ de cidadão, mesmo não o sendo, ele se torna uma ameaça ao ‘bom funcionamento’ da política(gem) do ‘manipulador’. Mesmo quando há a política (democrática) de fato, o indivíduo, por se sentir fora do projeto de vida social e contribuinte com seu potencial (e não somente como contribuinte financeiro), pode sim se tornar uma ameaça, se o mesmo já tiver inclinações para cometer delitos o fará sem remorso.

O indivíduo pensante, que pode ser denominado de Governante Potencial, também pode ser considerado ameaçador, pois incomoda a ‘harmonia’ que, principalmente, os detentores do poder almejam, sendo que os ‘bons cidadãos’ são aqueles que se comportam de forma submissa, não somente como mão-de-obra, mas também em ideais (pensamentos), concorda com tudo que lhe é imposto.

Nesse contexto os interesses deveriam ser apenas socais, coletivos e não individuais ou privados, como ocorre muitas vezes. É preciso lembrar que cidadão é todo e qualquer indivíduo pertencente (que faça parte) à cidade (sociedade em termos gerais), portanto o rico, o pobre, do político ao pedreiro têm os mesmos direitos e deveres.

Então, podemos considerar que o complexo é muito mais abrangente e necessita de muitos estudos para se chegar a uma hipótese convincente de como se fazer justiça, devido às diferenças que há em uma sociedade.

¹.  1.Conjunto formado pelos fatos psíquicos e pela atividade mental de que há consciência clara, por oposição ao subconsciente; 2. Que sabe o que faz; 3. Que tem consciência da própria existência; 4. Cujo sistema nervoso central que permite pensar, observar e interagir com o mundo exterior.
². 1. Direito de proceder conforme nos pareça, contanto que esse direito não vá contra o direito de outrem; 2. Condição do homem ou da nação que goza de liberdade; 3. Conjunto das ideias liberais ou dos direitos garantidos ao cidadão.
³. Devassidão.

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Ideologias em Choque – Uma breve reflexão ilustrativa sobre a alienação


Por Renan Peruzzolo
Ideologia
Compositor: Cazuza/Roberto Frejat

Meu partido
É um coração partido 
E as ilusões estão todas perdidas 
Os meus sonhos foram todos vendidos 
Tão barato que eu nem acredito 
Eu nem acredito 
Que aquele garoto que ia mudar o mundo (Mudar o mundo) 
Frequenta agora as festas do "Grand Monde"

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Sei ou penso que sei? - Um jogo de linguagem além de Wittgenstein e o pensamento Socrático

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Quando me foi feito o convite para ser um colaborador deste respectivo Blog me chamaram a atenção as seguintes palavras: “Precisa ser alguém capacitado para tal. Alguém que tenha, acima de tudo, opinião formada e principalmente fundamentada.”, logo me veio a questão: “por que eu?”, já que sou jovem recém saído do ensino médio, ansioso por iniciar o curso de Direito e o único ‘sentimento’, diga-se de passagem, que tange o meu ser em demasia seja a vontade de saber. Bem, talvez isso apenas já baste e/ou seja o mais importante. Explicarei o porquê dessa introdução mais adiante.
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