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por Myra Soarys              Estamos na arquibancada, posso dizer que somos muitos, não sei seus endereços ao certo nem seus nomes,...

Eu faço parte do circo



por Myra Soarys
     
       Estamos na arquibancada, posso dizer que somos muitos, não sei seus endereços ao certo nem seus nomes, não sei ao certo o que somos, se loucos por adoração ou se consumidores necessitando consumir o melhor espetáculo.
     
          Estamos lá sorrindo nos fazendo bobos alegres, a espera que o show comece. A irritação é clara nas faces humana, eis que esses desejam que o aventurado zelo do espetáculo à vista comece. 
     
      Desejam ser hipnotizados pelo mágico do atendimento, desejam se entregar ao ambiente, se entregar a musica da satisfação do seu próprio eu. Lá estão eles espalhados ou reunidos em grupos, fixados e avaliando o show, dando notas ou simplesmente pisando na cabeça dos seus alunos por falta de competência comercial. 
     
        Eu sou uma aluna agora, eu sei que não sou da arquibancada. Porém algum momento estarei nessa posição de público também, entretanto agora não é o caso. Estou aqui para aprender que meus professores (consumidores) ou me aprovam ou me reprovam em suas análises de aconchego comercial.
     
          Estava somente aqui observando e errei meu posto, eu sou o show, e lá estão eles, sendo nossos chefões, e fazendo de nós suas atrações. Claro, não são todos que curtem atirar pipoca nos palhaços, ou desvendar os truques do mágico falível. Vai da aceitação do público, alguns são mais rigorosos, outros nem tanto, aceitam o que for dado em mãos.
     
       Mas temos que ser realistas, eles nos alimentam, eles (consumidores) é que pagam o salário do Pedro, o salário de dona Maria, o do jovem Eduardo, e não o chefe propriamente dito. O nosso chefe é o consumidor, o cliente que vem visitar a casa do consumo.
     
        Ou se agrada o público ou se perde o público, e verá a falência de si a sua frente se não paparicar o consumidor. Se não acompanhar o ritmo da propaganda comercial você ficará para trás, aqui o ritmo não é dançar Black e nem pagodear, aqui se consome o suingue do melhor atendimento.
     
       Se não faço meus malabares, se não ando na corda bamba de vez em quando, se não entro na boca do leão, se não encontro o acesso mais rápido para atrair meu público, as arquibancadas se putrefarão à escassez do tempero consumista.

         E assim acaba o show no circo e desespera o público insatisfeito.

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por Myra Soarys Nos tempos podres de ordem, o poder é arte de barro, manipulável. Não somente de hoje, mas de todos os tempos. Desde...

Arquitetura do Poder


por Myra Soarys

Nos tempos podres de ordem, o poder é arte de barro, manipulável. Não somente de hoje, mas de todos os tempos. Desde olhos mais antigos ao mais atual, desde cérebros mais antigos às mentes recentes.
      
Os que se misturam a esta receita sabem e não sabem o limite das colheradas a serem postas na vasilha. Quando bem preparado o banquete é um sucesso coletivo, porém quando se passa para um poder doentio, o manicômio o corrompe com ideais nada construtivos. 

Ideologias fascistas, nazistas e outros campos que cabeças seguem no propósito de uma nova “nação” cruzam com a ignorância de que podem separar sociedades, pessoas, crenças, partidos. O mundo é um campo de convívio benéfico, contudo existem os que se caracterizam como “messias” e criam suas falsas leis de convívio, agarrando corpos e almas limpas, tornando-as imundas por conta de pensamentos contrários aos seus.

O poder tanto pode ser uma golada no inferno, quanto pode ser a fatia dos céus. Para muitos o poder é o senso de vida em que se pode aperfeiçoar ao ideal de sociedade a ser seguida. Contudo esses “reis” sem coroas ultrapassam as ruas e atropela a sociedade o mundo.

Quando não se há extravagância na alma do homem que veste o poder sem culpa, a liderança lhe cabe bem, sem necessitar de arremates e esse sim ganha o respeito dos homens.

O poder, cega quando fora dos limites, sangra a alma do inocente e enaltece o poderio sujo. O poder, ele não é corrupto, porém nas mãos dos homens malditos ele se suja, tornando-se inconsequente.

Use a autoridade para com o mundo e ganharás respeito por mérito próprio, usai o poder para com o mundo e ganharás a hipocrisia da aceitação por medo. Enxergou a diferença?

O que se vale pensar e analisar aqui, como se podem ter pessoas que seguem ideologias de poder ilógicas?  Pessoas que inalam pensamentos pobres e podres, o pior das ideologias já ocorrido? O poder nazista;

As eleições de 31 de julho de 1932, foram a prova da incontestável ascensão nazista, o Partido Nacional-Socialista (NAZISTA) alcançou a incrível votação de mais de 13,5 milhões de votos contra 8 milhões de votos do Partido Social Democrata (SPD). A votação garantiu aos nazistas 230 cadeiras no parlamento contra 133 dos social-democratas. Os partidos de centro chegaram aos 6 milhões de votos e 97 cadeiras e os comunistas alcançaram somente 5 milhões de votos e 89 cadeiras, os demais partidos alcançaram votação insignificante.

Quando lemos tal final de escolhas pensamos… O que faz um ser humano ir a favor da barbárie, ir a favor da morte de milhões? Um ideal de vida perfeita? Um padrão estético social dos últimos tempos? Ou um tipo de modismo que não veste bem os corpos considerados fracos?
Absurdo…

Em momento de convulsão ideológica, nos seres humanos devem exercitar a consciência crítica, baseada no bem de todos e não somente rasgar a capa do incapacitado e fazê-lo impróprio.


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por Myra Soarys       “Às vezes criamos novos passos que não fazem parte de nós. Nascemos prontos fisicamente ou não… Às vezes no d...

Superação


por Myra Soarys

     “Às vezes criamos novos passos que não fazem parte de nós. Nascemos prontos fisicamente ou não… Às vezes no decorrer da vida ou desde início dela necessitamos ser maiores que nossas dificuldades, ser maiores que gotas de uma nuvem qualquer e tentar ser um oceano, voraz e profundo e transformador. Fazer um novo cronograma de vida, andar e recriar caminhos por novos meios.
    
       É em meio às contrariedades que seu interno se move ou nem para todos se movem. Alguns se mantêm na covardia de ser insuperável e morrem pra si mesmos, calados na sua agonia. Porém outros fazem das dificuldades, um verdadeiro vestuário para se agasalhar, as lavando todos os dias e a secando-a para fazê-la usável como proteção motivacional.
      
     Às vezes para muitos só o corpo físico externo é motivo para existir e o manter vivo, o que é um fracasso pensar assim. Pois o que de alguma forma destrói nossas paredes externas, é um lado a se examinar, e dar significativo motivo a mobília que se encontra dentro da gente, o que nos faz fortes e vencedores.
      
       Porém e quando este corpo físico externo se desestabiliza? O que fazer com o interno mal direcionado? O colocar em prática novamente é fazê-lo movimentar-se é existir para você mesma e para o mundo. Quando o momento exige de si, nos fazemos maiores e mais fortes.
      
       Saímos da velha caixa de preocupação pessoal física e de meios mais usáveis. Perdeu-se o movimento? A falta de pernas em João não o fez descansar para sempre seu corpo nos seus aposentos. Perdeu-se a visão? Enxergue por novas maneiras ultrapassando seus olhos através dos seus outros reais sentidos de viver.
      
       Entregar-se aos NÃOS da dificuldade é fácil, é ser um ser preguiçoso. Um ser preguiçoso de vontades, desejos e sonhos, porém isso não é um propósito, e não está na lista dos motivadores. A superação para quem busca os valores da vida e o seu real sentido nela, não se abala por desencontros de alinhamento. Para quem almoça SUPERAÇÃO todos os dias e não se dedica as dietas de VOCÊ NÃO É CAPAZ… Engordar aqui é preciso, mas é uma engorda motivacional de superação.
      
     Mesmo que seus olhos não enxerguem a sua maneira, mesmo que suas pernas não caminhem ao seu modo, mesmo que, alguma parte sua desfaleça por fora, tentarás ser maior e começará a nascer por dentro e a se usar por dentro se expondo para o mundo de uma nova expectativa só sua.

      
      Não deseje sua deficiência, limitação, presa em suas mãos. Deseje-a livre para fora destes arames que a perfuram.”

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por Myra Soarys “Existia um tempo em que o ser humano convivia, olhava nos olhos um do outro e se conectava fisicamente. Existia um ...

Retrocesso Humano


por Myra Soarys

“Existia um tempo em que o ser humano convivia, olhava nos olhos um do outro e se conectava fisicamente. Existia um tempo em que o ser humano convivia com pessoas de carne e não aparelhos de metal, alumínio, etc. Existia um tempo em que o único sinal existente entre humanos eram os sinais de afeto, amor, ódio, rancor, alegria, dentre outras conexões. Hoje um dos sinais de contato existente dentro dos lares é o sinal do wi-fi.

Pode acabar o amor, pode acabar o feijão, a água quente do chuveiro, porém ficar sem aparelhos tecnológicos, não, isso jamais. Isso nos tempos de hoje é considerado um pecado na vida de um nomofóbico, isso ai turma! A tal coisa virou fobia. Enquanto uns se viciam em álcool, cocaína…
           
            A tecnologia tornou-se o novo tabaco tragável a qualquer idade. Desde cedo nossas crianças trocam bonecas de panos, carrinhos de plástico por Tablets e aparelhos de ultima geração. 

É normal sim você ser conectado e ter uma vida social, o que não é normal é o exagero de ficar nas redes enquanto as coisas acontecem ao seu redor, parece brincadeira, mas ao ponto que você dispensa olhar o mundo a sua volta e se conectar as pessoas ao vivo se fechar a um aparelhinho seja ele um celular, computador, ou qualquer aparelho eletrônico de comunicação, em exagero acaba tornando-se uma doença.

O ser humano entrou em uma relação muito seria com esses amiguinhos, talvez um casamento sem divórcio, quem sabe nem desejem separação. Para esses famintos, quanto mais comida neste prato melhor, não é algo que dará indigestão para eles, se alimentam com excesso e inquietude sem preocupação com a balança de convívio futuro.

São famílias completas que trocam contatos por milhões de tecladas no seu aparelhinho digital. O ser humano deseja que procriem Tablets, celulares infinitos, dos seus bolsos. Mas não plantam convívio em seus lares.

Ao ponto que antes se tinha liberdade pessoal, hoje muitos se mantêm preso a essa falsa liberdade. É uma droga que é injetada na veia humana por vontades próprias. E que faz de muitos cegos do convívio físico para somente ter olhos para o mundo que se encontra na palma da sua mão, o mundo touch screen.

Ou aprendemos a nos desligar do mundo andróide e restabelecer a um convívio sadio ou seremos somente um pedaço dessas maquinas tecnológica.”

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por Myra Soarys “Éramos velhos, quando nossas costas não se curvavam mais, éramos velhos com nossos olhos sem visão, embaçados pelo...

Corpo Arcaico



por Myra Soarys

“Éramos velhos, quando nossas costas não se curvavam mais, éramos velhos com nossos olhos sem visão, embaçados pelo tempo. Éramos velhos que não nos importávamos mais com a caminhada lenta, quase arrastada, dada por aqueles pés enrugados, constituído de ossos ocos.

Éramos velhos conservadores das boas lembranças de criança, éramos velhos que suportavam os dias se encurtarem em direção a morte, éramos velhos que puxavam o nosso corpo com muito zelo, para assim tentarmos conservá-lo por mais e mais dias.

Éramos… velhos, com pensamentos que faleciam com o tempo, eis que sou um dos velhos, que não lembra aonde deveria ir, aonde deveria ficar. Não recordo como antes o nome dos meus sete filhos, talvez João, quem sabe Francisco. Droga‼ Envelhecer dói, machuca.

Sinto-me uma terra imprópria para cultivo nesse fim de vida, tantos me cavaram e plantaram flores em mim, hoje eu não semeio nada, na visão das carnes jovens, somente solto folhas secas dos meus galhos ressecados.  

Éramos velhos e a cada dia que se passa sou mais. Vivo esquecendo e sou esquecido, por mim mesmo, e pelos meus frutos, que um dia os cuidei.

Tornei-me uma veste que não mais cabe em meus filhos, me abandonaram dentro de um guarda-roupa da vida, tal guarda-roupa que somente sinto o mofo que se instala. Penso todos os dias da minha vida, que serei o casaco de inverno que os aquece dentro do meu peito, porém agora é verão e esse calor nos afasta. Só desejo que essa estação não se prorrogue.

Desce lágrimas dos meus olhos, que bom que ainda lembro como chorar, isso a velhice não me roubou. Chorar? Nossa, queria derramar lagrimas de felicidade, porém, para mim, estou a morrer a cada dia sem a alma de alguém.

Éramos… velhos e ainda sou um velho, sinto meu corpo desfalecer, dias, meses se passam e não sei, mas andar por mim, e eu sinto que aqui estacionarei. Não consigo mais lutar contra meu corpo fraco, não sei respirar sozinho, meus órgãos não funcionam como antes. Respirar pra mim é como rasgar uma faca no meu peito. Caminhar… cada passo um membro a se deslocar pra fora da minha alma.

Eu sofro em pensar, que aquela porta não se abre há mais de 30 anos e espero a bondade do tempo de me fazer resistente para vê-la aberta, sentir alguém me erguendo e me fazendo novamente viver, torna-se útil de novo, voltar a ser… ser humano. E descansar ao lado de deus e de minha Suzane.”

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por Myra Soarys      Eu vou lhe contar uma coisa… Eu acordei errada hoje, ou ao avesso. Não amarrei meus cadarços, não me importei e...

Sem pé, nem cabeça


por Myra Soarys


     Eu vou lhe contar uma coisa… Eu acordei errada hoje, ou ao avesso. Não amarrei meus cadarços, não me importei em pentear meus cabelos, sai bagunçadamente bem.
    
     Eu vou lhe contar uma coisa… Hoje eu roubei flores de um vizinho, roubei as flores que ele sempre as manteve trancadas, sem ver o mundo e escondidas atrás da cerca mal pintada, as dei para as ruas vazias, as ruas sorriram “banguelamente”, agradeceram.  
     
     Eu vou lhe contar uma coisa… Hoje eu sorri pra um senhorzinho cego, ele retribuiu mesmo não vendo meu sorriso colorido, mas ele sentiu, na troca de palavras entre nós dois somente, naquele velho metrô, dizendo que ele podia não enxergar o mundo aqui fora, porem o mundo ali dentro só ele tinha a excelência de ver e ser o único hospedeiro.
    
    Eu vou lhe contar uma coisa… Eu deitei meu rosto no chão da cozinha, queria ter uma visão do meu amigo felino ali repousando frente a mim, ele me observa tão fixamente que o sentia conversar dentro de mim, parecia ler meus pensamentos.
     
    A vida dele se passou diante dos meus olhos. Uma lágrima desceu, não sei o motivo ou até sei, pensava talvez no fim dele, e ele ali fixa a mim, parecendo me compreender, esticando-lhe a patinha tentando me alcançar, ou só tentando enxugar a lágrima que não se conteve e molhara o chão.
    
     Pisquei mil vezes para torná-lo real novamente, mas só estava recriando a falta de um pedaço meu.
     Recolhi-me, me levantei e fui fazer meus afazeres. Fui tentar viver, fui tentar ver a vida da minha janela.
    
    Eu vou lhe conta uma coisa… Faltavam-me as rosas daquelas ruas banguelas para me embelezar, os olhos daquele homem de visões também a mim faltavam, eu nunca existi, só percebi essa minha ausência nesse mundo. E fui viver pro meu mundo, sem pé nem cabeça. Hoje, amanha e sempre.

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por Myra Soarys “Não podemos ir contra o tempo, nem tudo condiz com nossos desejos, até tentamos forçar as coisas a serem como nós d...

A beleza nua e crua


por Myra Soarys

“Não podemos ir contra o tempo, nem tudo condiz com nossos desejos, até tentamos forçar as coisas a serem como nós desejamos, porém é inútil tentarmos manipular a velhice a ser sempre jovem.
       A beleza despida… tem manchas tem cicatrizes do tempo, a beleza crua não exala o aroma dos ideais cozimentos da cútis, é enrugado e caído, é flácido, mas é o que somos, é o que tornamos a ser no nosso fim.
       O tempo não condiz com os nossos gostos de mudanças, ele vai sendo o que muitos não desejam ser e encarar o seu corpo se desfalecendo diante de ti é medonho pra muitos, e o tempo não quer ser amigo nesse caso, ele gosta de permanecer um inimigo que faz coisas contra as vontades humanas.
       O ser humano tenta retocar as paredes externas, as pincelam, as trocam as retocam, retira daqui, põe ali. E assim o ser humano se veste com suas roupas impróprias e até, muitas vezes, exageradas, escandalosas, só para se manter estruturadamente e externamente belo, perfeito, sublime, características as quais em nada condizem com suas verdades internas.
       O ser humano tenta ser inteiro, porém é parcelado em 12 vezes e é vendido ao comércio da beleza. É hipnotizado, conduzido a bruxaria, as mágicas, as macumbas dos novos processos de rejuvenescimento. Até podemos mandar, melhor dizendo, tentar mandar no nosso território, são muitas as tentativas que no fim se mostram falhas.
       Não vencemos o tempo nem a velhice, não vencemos o quebrar, nem o desgastar das nossas carnes, meu corpo manda em mim, nós tentamos retocá-lo, fazê-lo ser o que não dá pra ser.
       É normal por fora sempre permanecer exaustivamente belo, mas e por dentro? Não há processo que rejuvenesça seus órgãos, nem há retrocesso que conduza a ser o baby de tempos atrás. Você deve aceitar a ser velho um dia.
       O ser humano tenta fugir dos padrões que irão fazê-lo envelhecer, mas é impossível se jogar na juventude por tempos eternos, podemos correr, mas um dia os ossos fracos cheios de rasuras humanas, vão lhe contaminar e lhe mostrar o que realmente você é. Sem pele esticada, será um corpo cru, um corpo nu, será um corpo que viveu, e que deixou como demonstração da sua vivência, as suas verdades cruas.
       Temos que baixar a cabeça e obedecer ao nosso corpo, ele é nosso dono. Existe uma parte de si querendo revoltar-se consigo mesma, por coisas que são para ocorrer, mas há um receio de ser o óbvio da velhice, que muitos se rebelam, tornando-se crianças mimadas, sempre querendo ir contra as vontades maiores da lei do tempo.
          As peles caídas consumirão a qualquer ser humano que vive. Não manipule o tempo para viver para você. Só saiba aceitar e viver no tempo que lhe corresponde e ser feliz assim.”

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por Myra Soarys           Bateu na minha porta… Felicidade assim se chamava. Não era acompanhada de uma bela gravata, nem de uma ce...

A vida


por Myra Soarys 

        Bateu na minha porta… Felicidade assim se chamava. Não era acompanhada de uma bela gravata, nem de uma cegonha com pequenas chupetas. Nesse plano de vida, eu não tinha um requisito de herdeiros para deixar, como seguimento do meu sangue nesta vida.

por Myra Soarys    ‘’Era o mundo um homem sem mulher.       Ela era a terra espalhada no universo. Vistosa belíssima…    ...

O Mundo Parindo Filhos Ingratos



por Myra Soarys   

‘’Era o mundo um homem sem mulher.

      Ela era a terra espalhada no universo. Vistosa belíssima…

      Ela teve filhos entrou em gestação. A cada ano milhares de filhos a percorria, seu desejo era ser adorada, ela tinha flores em si, tinha seus rios, lagos nascera para ser mãe esplêndida, tinha uma imensidão contornado-a. De dia brilhava nela todo o sol, o universo a completava. Os seus filhos, batizados pelo nome… humano, era sua base de complemento.

por Myra Soarys             “Muitos a apertavam eram irritante sua maneira de fazê-la manter-se em um estado ambiente de fervura...

Cabeças de Garrafa


por Myra Soarys
     
      “Muitos a apertavam eram irritante sua maneira de fazê-la manter-se em um estado ambiente de fervura interna, sempre que a bebessem…
       Aquele descuido de momento que a fazia esfriar parecia mais comum a ela do que aqueles momentos no qual se ocupava de conceitos e ideais borbulhantes. Para ela era infalível vê-la incapacitada. Não caberia a ela o papel de ser a garrafa que não sabe aquecer.
       Incumbida de tanto apertões, de tantas mãos sobre sua mente parecia não poder pensar por si só, por vezes aquela dona somente desejaria se afrouxar. Não teria necessidade de manter-se em temperatura tão elevada por conta de gosto da maioria.
       É como se… o que continha dentro dela… nunca tivesse a oportunidade de colocar os olhos pra fora do garrafão e expor seus aromas, seus gostos. Quando  surgia a oportunidade,  mãos a apertavam. Colidindo sua mente a voltar à escuridão dentro de si.
       Mas ai é que está e se... Seus sabores fugissem ao abrir da tampa? Será que o sabor se mantém no paladar de quem o experimenta? Ou no exato preparo do despertar sabor novo?
       Tantas perguntas com tantas possíveis respostas. Ela só não quer ser tão pressionada, não quer ser sufocada. Não deseja ser tão manipulada forçadamente. Ela sabe o que carregar dentro de si e o que em si pode suportar.
       Exato o momento em que houve um descuido, as mãos apertaram tanto aquela garrafa que sua cabeça se rachou por um bem. Liberando seus sabores internos, exalando sua pessoa, por si só haveria se quebrado, mas se reconstituído ao exato momento para o mundo.
       Existe um lado da humanidade que gosta de sair das linhas exatas da mesmice, sei claro, nem todo mundo gosta de café morno, mas quem disse que todo mundo tem o mesmo paladar? Ir contra as regras do mundo humano e suas modinhas é saber ser liberto de coragem e ser liberto de vontades próprias. É ser você.
       Se permitir estabelecer para o mundo ao seu modo é ser menos cabeça de garrafa. ’’

por Myra Soarys “Na poltrona nova havia recostado um corpo… Em um absurdo estado de conservação. Cheirando a vida, nele havia pulsa...

HOMEM


por Myra Soarys

“Na poltrona nova havia recostado um corpo… Em um absurdo estado de conservação. Cheirando a vida, nele havia pulsação havia veias cheias de vigor, existia contato com o mundo.

          Porém um dia as coisas foram se estreitando… Quase uma relação Homem e móvel. Mas uma relação, com entrelaços perigosos. O chamado comodismo humano.

por Myra Soarys Somente uma laranja. Não saberia se era pra ser sempre assim ou se assim nasceria, mas nasceu… Em uma bela manha foi ge...

Vida e morte: a expectativa de uma laranja

por Myra Soarys

Somente uma laranja. Não saberia se era pra ser sempre assim ou se assim nasceria, mas nasceu… Em uma bela manha foi gerada, coisinha pequena que logo deu corpo, vistosa, aroma de laranja… 

Fui pega no pé, era frutinha pequena, me sentia triste por largar a família das minhas raízes, queria cair das mãos que me sequestraram. Mas eu nada podia fazer além de só olhar a separação da minha pequena família erguida a cada galho, ali se dissipando de mim.   

      Por Myra Soarys       Manoel morreu na calçada fria.       De uma noite de setembro.       Não teve velas na sua morte.     ...

Sociedade Morta

      Por Myra Soarys

      Manoel morreu na calçada fria.
      De uma noite de setembro.
      Não teve velas na sua morte.
      Somente sentiu a alma corroída
      Pelo vento.

      Maria também morreu.
      Assim… como José, Pedro e o senhor João.
      Alguns sofreram com a fome.  
      E de tanto gritar, esbravejar.
      Por um pedaço de igualdade nesta nação.

      E é assim que vem a surgir.         
      Uma sociedade cicatriz…  
      Esbarrados, marcados,
      Batizados de humanos.
      Na corja do mundo infeliz

      Uma sociedade cicatriz…
      Que se reinventa pra viver.
      Que mastiga o desrespeito todos os dias.
      Sem conseguir dar engolidas no poder.
      No poder de ser feliz.
      E poder dizer pra si mesmo…
      Foi essa vida que sempre quis.
     
      Porém nada assim realmente é.
      Muitos não podem saborear a liberdade da vida
      Com sua própria colher.
      Tem que esperar ser dada na boca.
      E engolir o que vier

      Percebeu? Você… Sim você! Humano sofrido.
      Que nasceu na gaiola feito pássaro.
      …um ser escondido.
      Com todos, nossos, vossos meios.
      Somente vontades maiores de matar o inimigo:
      A indiferença, a fome, a guerra o frio.
      A falta de educação a falta de abrigo.

      Nesse projeto de vida ninguém quer liquidação.
      Não querem preços sugeridos de quanto querem pagar
      Pra tal da liberdade… meu irmão.   
      Envolvidos tanto assim, tão rápido, tão ligeiro, 
      Esse desmantelo. 
      Isso é o movimento de uma sociedade sequelada.
      Uma sociedade espancada pela elite.
      E sempre desrespeitada.

      Está latejando a fome, ela grita! Na barriga murcha de falta de pão.
      Mesmo que imundos, salvam…
      Pedaços de alimento. Largados no chão.
      Por que isso?
      Digo-lhe.
      Falta-lhe um tostão.
      Pra abastecer a si mesmo e, quem sabe, seus sete irmãos.

      Está dolorida, as pernas de Mané, que Caminha pra a tal educação.
      Destino traçado? Sim… 
      O colégio, o templo de aprovação.
      Sem estrutura. Lá pode até encontrar.
      Falta tudo, menos vontade de sonhar.

      Ele só deseja um futuro, futuro de sonhos, que o mundo finge não ver.
      Não sabem que mora nele, a vontade de ser.
      Ele quer ser médico
      Ou só simples carpinteiro.
      Não importa o destino.
      Porque ele não desiste.
      Ele é brasileiro.

       

  por Myra Soarys  Porões humanos existem, existem pra se esconder. São vários pensamentos querendo manipular o porão, manipu...

Arte - remédio sem dose

 

por Myra Soarys 

Porões humanos existem, existem pra se esconder. São vários pensamentos querendo manipular o porão, manipulá-lo para o concerto ou para a desordem, alguns querendo se sujar inteiramente, outros desejando uma limpeza, uma ensaboada interna.

Dedos agitados, descontrolados, fazendo curvas no corpo esbranquiçado sem alma chamado papel. Arte é infinita, é a criação das gangues surreais do interno. Arte é infinitos sentidos, é a cura sem doses perversas de medicamentos, arte é medicação aceitável ao corpo e mente.

Existe um paraíso infernal dentro de um esquizofrênico. Talvez seja o presságio da dor imantada por dentro, dar dor que não vemos. Há coisas que nascem, outras crescem dentro do mesmo. Que mente é essa? Um dia se resolve ser o sol, outra uma lua, ou quem sabe um eclipse mental. É uma colisão entre o real e a loucura não planejada. Esquizofrenia é o mundo das variações dos pensamentos, ela é mar, oceano, se afoga e se salva de si mesma todos os dias, se rabisca e cativa o papel tentando se desviar dessa loucura de mundo interno expansivo.

Desviar-se de remédios não é fácil. É como se sobrevivêssemos a nós mesmo todos os dias de guerras de batalhas de crimes profundos. Arte é poder se sentir seguro, é poder atravessar a rua sem ser atropelado por um carro descontrolado, ou por um corpo mental em meio a um tiroteio, mas se sentir protegido com o colete da arte. 

Entre litros de felicidade existe um mergulho na tristeza imensa, tudo no mesmo corpo. Isso é abalador. Essa variação de humor capturando os pesadelos abstratos deste mundo, isso os aflige, assim destruindo sua realidade. A arte trabalha a libertação dos males internos. E faz essas portas abrirem, as janelas se mostram, mas amplas, e os cômodos da alma se encontram, mas arrumados, mas organizados. A casa humana esquizofrênica se liberta artisticamente. Assim voltando ao real sentido da vida, libertação mental…

por  Myra Soarys  O calibre do pensar humano se derrama, se abusa no papel. O assédio ao espaço não tem limites, pra que limites? Qua...

O sacrificar da folha

por  Myra Soarys 

O calibre do pensar humano se derrama, se abusa no papel. O assédio ao espaço não tem limites, pra que limites? Quando falamos sentimos e respiramos arte? Respirá-la não nos causa danos internos. Pode ate afetar o nosso crânio, o nosso senso. Deveríamos nos embebedar de litros diários, causar a nos uma ebulição artística.

por  Myra Soarys Mostra-se ridículo e descontrolável sua indignação sobre a vida... Você até quer mudanças no seu bordado mal ...

Movimento Nulo



por Myra Soarys

Mostra-se ridículo e descontrolável sua indignação sobre a vida...

Você até quer mudanças no seu bordado mal feito, mas não o faz. Só sabe receber alfinetadas, agulhadas, que perfuram sua superfície de vida. Você deseja receber respeito, porém não o concede. Você quer receber espaço, mesmo sempre sufocando. Você deseja que o mundo dance. Porém reprova o balanço das suas curvas... 

por  Myra Soarys Cabelo descolado, última moda, calçados de Paris. Tá apertada o Jeans... Estão incômodos os trajes, o som que,...

Permita-se



por Myra Soarys

Cabelo descolado, última moda, calçados de Paris.
Tá apertada o Jeans... Estão incômodos os trajes, o som que, já não me cabe mais nos ouvidos...
A comida que mastigo por mastigar. O conteúdo que sigo sem saber pra onde vai.

por Myra Soarys Bom, quantas vezes lhe traguei? Infinitas, quase criando um câncer dentro de mim... Quantas vezes lhe bebi? O sufic...

Expectativa X REALIDADE

por Myra Soarys


Bom, quantas vezes lhe traguei? Infinitas, quase criando um câncer dentro de mim... Quantas vezes lhe bebi? O suficiente para me afogar..

Dentro de cada um de nós, sempre fomos o alimento de alguém, ou o sustento de alguém. Aqui falamos sobre relações minha cara(o). Talvez a sua, quem sabe a minha, não há importância nisso, o fato é que você já criou uma vida ao lado de alguém que vc sabe que nunca fez parte de você totalmente. Nunca foi seus braços (apoio), nem suas pernas (caminhos), nunca foi sua boca (crítica), nem seus olhos (visão). Nada foi do que somente criação sua, minha pequena(o). O que importa é que somente foi enraizando dentro de nossas perspectivas falhadas.

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