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por Francisco Arseli Kern          Vivemos na necessidade da sociedade do afeto e mais do que nunca precisamos somar a necessidade de s...

Onde está o sentido do Humano?

por Francisco Arseli Kern
     
   Vivemos na necessidade da sociedade do afeto e mais do que nunca precisamos somar a necessidade de sobrevivência material com a necessidade de sobrevivência emocional, afetiva e espiritual. Quando construímos novas relações, projetamos a perspectiva da construção de uma vida mais próxima, seja de união ou não, até que o fantasma do medo entra em cena e constrói um muro que separa os sentimentos mais nobres dos sentimentos de impotência e de afastamento descapitalizando o sentido do humano, colocando-o na condição de vulnerável a tudo e a todos.

Pode parecer fácil apresentar um discurso que defende a valorização do sentido da vida, mas quando estamos diante de humanos em situação de vulnerabilidade, rotuladas com preconceitos, esquecidos, marginalizados e sofrendo a exclusão social, o valor do sentido da vida evidencia limites.

No decorrer da nossa história, o humano está cada vez mais esquecido e também situado em segundo plano. Hoje, ele precisa aparecer! Ele precisa se tornar alguém, tornar-se sujeito. Se assim ele não conseguir, torna-se vítima de uma morte social com conseqüências cruéis e desastrosas.

Para superação desta concepção de humano esquecido, o sujeito com responsabilidade para com o outro se torna extremamente necessário, o que compreende uma conotação coletiva; é o sujeito com direito à liberdade, o que compreende ao contrário, tolher a liberdade, e sim, considerá-lo na sua condição capaz da construção e projeção de sua condição de sujeito e humano.

A reflexão sobre o que o humano busca na atualidade, com base na sua experiência de vida, constitui-se numa construção política carregada de significados, e ao mesmo tempo, uma construção que vai se efetuando em meio à possibilidades e limites que, são vivenciados no dia a dia e que devem sempre levá-lo a um recomeçar. A vivência do cotidiano o impulsiona a projetar-se para a sobrevivência, não só em termos físicos de satisfação das necessidades, mas no sentido de buscar a realização do seu ser em toda completude.

Assim, o humano ao existir, cresce e se desenvolve processualmente e dialeticamente no avançar e no retroceder na busca de seu pertencer ao mundo social. Se o humano não se projetasse da singularidade para o coletivo, ou seja, da individualidade para as redes de relações, ele não sobreviveria. Isto também significa dizer que o humano sempre se lança para fora de si através de dois pólos que se caracterizam como o ser e o não-ser. O sentido do não-ser é o que motiva o ser a uma busca incessante, ou seja, o humano em busca do sentido e do significado de referência e do pertencimento social a partir da sua subjetividade!

Em seu discurso sobre a existência, SARTRE dá a entender ser a subjetividade humana construída. Ela não existe a priori, ou seja, SARTRE associa a natureza humana à angústia, à liberdade e ao projeto. É mais fácil entender em SARTRE a desubjetivação, do que a própria subjetividade. Para este filósofo, o humano não é nada a não ser que ele próprio se projete e se crie. Se isto não ocorrer, ele não existe, logo não haverá subjetividade.

A subjetividade alcançada (1973, p. 78) “ não é uma subjetividade rigorosamente individual, pois não descubro apenas a mim mesmo, mas também os outros”. O humano que alcança a sua realização plena, descobre também todos os outros, descobrindo-se como sendo a própria condição de sua existência. O humano expressa o seu mundo subjetivo na medida em que é reconhecido como tal. Neste sentido, não existe o humano individualizado no concreto, pois a sua existência, ou o seu pertencimento social, se dá na medida em que seu eu é fortalecido no reconhecimento do outro no significado do estabelecimento das teias de relações.

SARTRE ensina que para o humano obter qualquer verdade sobre si mesmo, faz-se necessário a consideração do outro. Logo, a subjetividade cria uma dimensão de intersubjetividade, ou seja (1973, p. 78): “a descoberta da minha intimidade, desvenda-me, simultaneamente, a existência do outro como uma liberdade colocada na minha frente, que só pensa e só quer ou a favor ou contra mim”.

Pensando neste ângulo, a subjetividade é construída na medida em que a pessoa se projeta, se define em meio a sua condenação, a liberdade de existir. Olhando sob este prisma, não existe uma subjetividade abstrata, intocável, pura no sentido de ser privada. A vida do ser humano está diretamente e indiretamente ligada a todos os seres vivos, e neste sentido, cria-se uma interrelação numa totalidade de existência da vida.

No campo dos direitos humanos, o humano é tomado como tema para reflexão. Ë o humano com responsabilidade para com o outro, o que compreende uma conotação coletiva; é o humano condenado à liberdade, o que compreende ao contrário, tolher a liberdade do mesmo, e sim, considerá-lo na sua condição de sujeito capaz da construção e projeção de sua existência social.

Fonte:
SARTRE, Jean Paul. O existencialismo é um humanismo. São Paulo: Abril Cultural, 1973



            

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A partir desta narrativa da cena do Filho Pródigo já narrada por Jesus Cristo, evidenciam-se imagens significativas que num primeiro momento parecem tão íntimas de uma família, e num segundo momento, dão a impressão que se trata de um retrato da realidade social atual. Recria-se, então a imagem de um Filho Pródigo com a cabeça raspada, sandálias gastas, ajoelhado aos pés do pai, despojado de seus traços de personalidade. O filho ajoelhado não tem agasalho, a roupa parda e rasgada denunciam seu corpo cansado. Evidencia-se o contraste entre o que possui tudo, e aquele que está despojado de tudo, menos da espada. Símbolo da nobreza, a espada presa à cintura, representa um sinal de dignidade que resta. Humilhação, vazio e derrota são os aspectos centrais da imagem.
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