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           por Guilherme Wermann          Deitado em minha cama olho para o teto, procurando encontrar nas sombras dançantes um resquíc...

Depressão

           por Guilherme Wermann

         Deitado em minha cama olho para o teto, procurando encontrar nas sombras dançantes um resquício de euforia que consiga me levantar. Por baixo das cobertas, que me cobrem até o pescoço, sinto meu corpo enferrujado. Como uma máquina velha que já não funciona. Não sei se lá fora faz frio, mas aqui dentro, o sinto. Como se meu sangue não fosse capaz de aquecer minha carne. Como se meus ossos estivessem expostos ao vento. Vez ou outra não sinto nada, e isso é o mais perto que consigo chegar da paz.                 
            
          Quando a ansiedade não me agonia, a tristeza me abate. Um turbilhão de sentimentos entrelaçam-se em mim, sem que sequer eu consiga diferenciá-los ou compreende-los. Está tudo aqui, ao mesmo tempo que não está. Em um segundo eu vivo e no outro, não mais. Por vezes algumas vozes chamam meu nome por trás das paredes. Elas me convidam a sair. - Como se fosse fácil - penso. Elas continuam lá, dizendo o que já sei. Mas depois de algumas tentativas, se cansam e vão embora. Eu penso em procurá-las, dizer-las o que sinto, pedi-las ajuda. Mas agora já é tarde. Nada mais importa. As sombras voltaram e preciso observá-las

O Projeto Filosofia do Cotidiano abre espaço para todos que desejam publicar. conteúdo independente. As postagens expressam a opinião do autor e não necessariamente a linha de pensamento do Projeto.

por Guilherme Wermann Eu tenho ficado sozinho em meu quarto, mas não me sinto só. Não, não é que eu não goste de sair ou que não te...

Companhia


por Guilherme Wermann

Eu tenho ficado sozinho em meu quarto, mas não me sinto só. Não, não é que eu não goste de sair ou que não tenha bons amigos pra me acompanhar. É que talvez eu seja estranho ou um pouco diferente. Mas parece que a solidão sempre me acena em meio a multidões. Ela dança ao meu lado em festas, me persegue enquanto caminho no centro da cidade.
           Às vezes consigo a enxergar em sorrisos que fingem felicidade ou dentro de garrafas de bebida que trazem em si esquecimento. Ela fica em cada esquina, escondida, me esperando passar. Vez ou outra ela está tão perto, que me pergunto como todos ao meu redor não a notam, ou fingem não notar. Mas eu a noto, a percebo. E quando fico sozinho no meu quarto, eu a sinto. Ela senta ao meu lado e nós conversamos durante algumas horas. Eu a conto meus segredos, meus medos, minhas expectativas.

          Quando a conversa termina, nós dividimos o fone de ouvido, ou lemos um bom livro acompanhado de café. Ela gosta de café, mas não com açúcar. Ambos sabemos que em breve nos despediremos novamente, assim como sabemos que novamente nos encontraremos. Afinal, a minha melhor companhia sempre serei eu mesmo.

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por Guilherme Wermann Agora faz silêncio.   No escuro do meu quarto consigo ouvir o barulho repetido Dos ponteiros do relógio...

Cores


por Guilherme Wermann


Agora faz silêncio. 
No escuro do meu quarto consigo ouvir o barulho repetido
Dos ponteiros do relógio e o criquilar dos grilos lá fora.

por Guilherme Wermann Eu sou esse enorme vazio. Um buraco negro orbitando nesse infinito universo, Por hora, chamado de existênc...

Eu


por Guilherme Wermann

Eu sou esse enorme vazio.
Um buraco negro orbitando nesse infinito universo,
Por hora, chamado de existência.

Sou uma folha caída no outono,
Um grão de areia levado pelo vento no deserto.
Sou uma gota de água no oceano,
Uma molécula na imensidão do todo.

Por Guilherme Wermann Ancorei em algum lugar do passado. Preferi ficar a deriva das pequenas ondas de lembranças que me bala...

Passado


Por Guilherme Wermann

Ancorei em algum lugar do passado. Preferi ficar a deriva das pequenas ondas de lembranças que me balançavam o meu convés. O vento calmo das certezas sempre me deu uma sensação de segurança, mesmo que por algumas vezes, fosse falsa. 

O mar lá adiante me parecia tão agitado, perigoso, incerto. Só de observá-lo eu tinha a impressão que ele me faria naufragar diante das suas tempestades, afogando toda a tripulação de sentimentos que trazia em mim. Ele parecia querer me devorar. Afundar em esquecimento aquilo que um dia eu chamei de existência. O futuro sempre me assustou. E ao mesmo tempo em que tentava evitá-lo, eu acabava por fazê-lo presente. Ele era o ponto de interrogação no final das minhas frases, a linha em branco no final dos meus textos.

Ele estava ali diante dos meus olhos, independente do mapa mostrar ou não pra onde ele me levaria. Ele simplesmente estava ali. Tão presente que eu quase podia tocá-lo, e ao mesmo tempo tão ausente que não conseguiria descrevê-lo. O simples ato de imaginar o que o futuro me reservava fazia meu coração palpitar e aumentava o ritmo da minha respiração.

Nunca gostei de perguntas sem respostas ou de teorias sem fundamentos. Eu ancorei em algum lugar do passado e observei enquanto alguns navios passavam sem destino por mim.

Me parecia tão mais confortável ficar ali que enfrentar tudo que a vida viria a me oferecer. No final, acho que foi esse meu pensamento mesquinho que me fez esquecer o agora. No final, acho que esqueci que fomos feitos para navegar. 

por Guilherme Wermann            Um dia desses decidi entrar naquele quartinho isolado que existe dentro de mim. Aquele em que eu ...

Coração



por Guilherme Wermann

           Um dia desses decidi entrar naquele quartinho isolado que existe dentro de mim. Aquele em que eu procuro manter a porta sempre fechada e a luz desligada. Aquele em que eu guardo as coisas que deveriam se jogadas fora, esquecidas, apagadas. Mas não, nunca guardadas. Porque eu as guardo? Não sei. Talvez seja por essa minha mania de por reticências onde deveriam ser postos pontos finais.  Ou talvez seja pela minha dificuldade de deixar o passado, enfim, passar. Eu decidi entrar lá para poder lembrar daquilo que um dia fui, e que diante de todos os problemas e medos que me cercam, eu esqueci como ser. Mas eu entrei lá, principalmente, para reencontrar um algo que nunca quis perder. De leve empurrei a porta de fechadura quebrada. Pela pequena fresta que se abriu pude ver apenas escuridão. Parei por uns segundos refletindo sobre se devia, ou não, entrar lá. Mas no fundo, eu já sabia que era tarde demais.
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